O LIVRO

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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

NOSSA HISTÓRIA - A Pátria - RUI BARBOSA

   
Rui Barbosa
A PÁTRIA

E a família, divinamente constituída, tem por elementos orgânicos a honra, a disciplina, a fidelidade, a benquerença, o sacrifício. É uma harmonia instintiva de vontades, uma desestudada permuta de abnegações, um tecido vivente de almas entrelaçadas. Multiplicai a célula, e tendes o organismo.

Multiplicai a família, e tereis a pátria. Sempre o mesmo plasma, a mesma substância nervosa, a mesma circulação sangüínea. Os homens não inventaram, antes adulteraram a fraternidade, de que Cristo lhes dera a fórmula sublime, ensinando-os a se amarem uns aos outros: “Diliges proximum tuuum sicut te ipsum”.

Dilatai a fraternidade cristã, e chegareis das afeições individuais às solidariedades coletivas, da família à nação, da nação à humanidade. Objetar-me-eis com a guerra!

Eu vos respondo com o arbitramento. O porvir é assaz vasto para comportar esta grande esperança. Ainda entre as nações, independentes, soberanas, o dever dos deveres está em respeitar nas outras os direitos da massa.

Aplicai-o agora dentro das raias desta: é o mesmo resultado; benqueiramo-nos uns aos outros, como nos queremos a nós mesmos. Se o casal do nosso vizinho cresce, enrica e pompeia, não nos amofine a ventura, de que não compartimos. Bendigamos, antes, na rapidez de sua medrança, no lustre da sua opulência, o avulsar da riqueza nacional, que se não pode compor da miséria de todos.

Por mais que os sucessos nos elevem, nos comícios, no foro, no parlamento, na administração, aprendamos a considerar no poder um instrumento de defesa comum, a agradecer nas oposições as válvulas essenciais da segurança da segurança da ordem, a sentir no conflito dos antagonismos descobertos a melhor garantia da nossa moralidade.

Não chamemos jamais de inimigos da pátria aos nossos contendores. Não averbemos jamais de traidores à pátria os nossos adversários mais irredutíveis.

A pátria não é ninguém: são todos; e cada qual tem no seio dela o mesmo direito à idéia, à palavra, à associação.

A pátria não é um sistema, nem é uma seita, nem um monopólio, nenhuma forma de governo: é o céu, o solo, o povo, tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade. Os que a servem são os que não invejam, os que não inflamam, os que não conspiram, os que não sublevam, os que não desalentam, os que não emudecem, os que não se acobardam, mas resistem, mas ensinam, mas esforçam, mas pacificam, mas discutem, mas praticam a justiça, a admiração, o entusiasmo. Porque todos os sentimentos grandes são benignos e residem originariamente no amor. No próprio patriotismo armado o mais difícil da vocação, e a sua dignidade não está no matar, mas morrer. A guerra, legitimamente, não pode ser o extermínio, nem a ambição: é, simplesmente, a defesa. Além desses limites, seria um flagelo bárbaro, que o patriotismo repudia...

 Rui Barbosa, 1903.


sábado, 9 de julho de 2016

Data Comemorativa - 9 DE JULHO - DIA DA REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA





Nove de julho, feriado em todo o Estado de São Paulo, mas qual feriado é este? Nesta data, em todo estado de São Paulo, é celebrado o Dia da Revolução Constitucionalista, ocorrida na década de 1930.
A  Revolução Constitucionalista, ocorrida em 9 de julho de 1932, foi um movimento contra o primeiro governo de Getúlio Vargas (ocorrido entre 1930 e 1945). Antes do golpe de Estado que colocou Vargas no poder, em 1930, o Brasil era regido pela “política do café com leite”, pela qual as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais se revezavam na presidência do País.

Tão logo assume, o gaúcho Vargas dissolve o Congresso, destitui os governadores e nomeia interventores de sua confiança (muitos tenentes) nos Estados.  Ainda em novembro cria dois novos ministérios, um deles, o do Trabalho, entregue ao gaúcho Lindolfo Collor, avô do futuro presidente Fernando Collor, que revela suas preocupações em regular as relações entre patrões e empregados.
Evidente que as elites , ''donas'' da Velha República , não se conformam com a nova ordem imposta por gaúchos e mineiros, e em julho de 1932 partem para o contra golpe no que chamam de Revolução Constitucionalista. Não conseguem a adesão de um único Estado da federação e resistem por dois meses.
Cartaz do M.M.D.C. utilizado para recrutar
 jovens para o movimento em 1932

O estopim da Revolução Constitucionalista foi a morte dos estudantes Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade, durante a tentativa de invasão da sede de um jornal favorável ao regime varguista, em 23 de maio de 1932.
A sigla M.M.D.C., que remete às iniciais dos nomes pelos quais os estudantes mortos eram conhecidos (Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo), se transformaram no símbolo do movimento, como mostra o cartaz de convocação de voluntários para a Revolução Constitucionalista, do acervo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB).
Entre os meses de julho e outubro de 1932, as ruas de São Paulo foram o cenário de conflitos entre os revoltosos e as tropas do governo federal. O movimento, que exigia a promulgação de uma nova Constituição, fracassou no dia 1º de outubro de 1932, quando foi assinada a rendição que pôs fim à Revolução. Os principais líderes da revolta tiveram os seus direitos políticos cassados e foram deportados para a Europa.


Um dos monumentos mais emblemáticos de São Paulo faz referência à Revolução de 9 de julho de 1932. Trata-se do Obelisco do Ibirapuera, oficialmente chamado Obelisco Mausoléu aos Heróis de 32. Lá estão sepultados os corpos de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo e de outros 713 mortos durante o movimento paulista anti-Vargas.



O Obelisco, que tem 72 metros de altura, está localizado na Avenida Pedro Álvares Cabral, no Parque do Ibirapuera. O monumento foi feito em mármore e inaugurado em 9 de julho de 1955, com projeto do escultor ítalo-brasileiro Galileo Ugo Emendabili e execução do engenheiro alemão radicado no Brasil Ulrich Edler.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Nossa Literatura - TIRADENTES - UM SONHO DE LIBERDADE - Literatura de Cordel






CORDEL SOBRE TIRADENTES

De autoria de ARIEVALDO VIANA, em parceria com outro grande cordelista, ZÉ MARIA DE FORTALEZA, este cordel foi publicado em folheto de dezesseis páginas pela editora Tupynamquim, com capa de KLÉVISSON VIA com uma biografia detalhada, o que levaria um bocado de tempo de digitação, o texto não está completo. Quem quiser ver o texto integral deve entrar em contato com a editora por um desses caminhos: tupynamquim_editora@ibest.com.br



TIRADENTES
Um sonho de liberdade

Zé Maria de Fortaleza e Arievaldo Viana

Num Brasil de tantos Silvas
Quero falar do primeiro
Que embalou nossa pátria
Com um sonho verdadeiro
Foi Joaquim José da Silva
Um grande herói brasileiro.

(...)

Trata-se de um grande herói
Que seus dons proeminentes
Os colocaram no rol
Dos grandes inconfidentes
Foi Joaquim José da Silva
Xavier, o Tiradentes.

Nasceu no século dezoito
No ano quarenta e seis
No Distrito de Pombal
Que lembra o grande Marquês
De Pombal, que foi ministro
Do reinado português.

(...)

Seu padrinho era dentista
E por razões evidentes
Ele aprendeu logo a arte
E por questões decorrentes
Da profissão, lhe custou
A alcunha de Tiradentes.


Na profissão de dentista
Não quis mais continuar
E resolveu investir
Na carreira militar
Foi comandante das tropas
Sem nada lhe intimidar.

(...)

Tiradentes, um plebeu
De origem muito pobre,
Conviveu por algum tempo
No meio de gente nobre
E ante tanta injustiça
Sua vocação descobre.


Viu que a nação brasileira
Não estava satisfeita
Com as ordens lusitanas
E a cobrança suspeita
Percebeu que tal proposta
Por muitos não era aceita.

(...)


Era um homem inteligente
De ampla e clara visão
Um sonho de liberdade
Movia seu coração
Livrar o Brasil Colônia
Do jugo da opressão.

(...)

Tiradentes e seus pares
A justa revolta urdiram
Porém os planos vazaram
Num precipício caíram
Joaquim Silvério e mais dois
Ouviram tudo e o traíram.

(...)

Antes da revolução
Chegar a hora e a vez
A notícia foi levada
Ao Vice-Rei português
Pelo delator infame
Joaquim Silvério dos Reis.

(...)


Prenderam então Tiradentes
Na Rua dos Latoeiros
Já na prisão recebeu
Notícias dos companheiros
Que também estavam presos
Pra revolta dos mineiros.

(...)


A vinte e um de abril
No ano noventa e dois
Daquele século dezoito
A maldade disse: “Pois
Sendo assim, massacrem o réu
Para enforcá-lo depois.


Foram percorrendo as ruas
Lá do Rio de Janeiro
Desde a cadeia ao patíbulo
Levando o prisioneiro
Que apesar do sofrimento
Tinha um semblante altaneiro.


Ao contrário do que os livros
De história têm mostrado
Ele subiu ao patíbulo
Com o cabelo raspado
Trajando uma longa túnica
Por um carrasco puxado.


(...)

Ele cumpriu sua sina
Bastante resignado,
Sonhando ver seu País
Da opressão libertado,
Depois de morto, o herói
Foi também esquartejado.

(...)


Somente com a República
O nosso herói Tiradentes
Virou personalidade
Histórica entre os combatentes
E foi cognominado
Mártir dos inconfidentes.

Nossa História - Data Comemorativa - Dia 21 de abril - Dia de Tiradentes


"Tiradentes Esquartejado" Pedro Américo

O dia de Tiradentes é celebrado, sob regime de feriado nacional, em 21 de abril desde 1965 como forma de construção da imagem heroica do Patrono da Nação.



Desde 1965, aos 21 dias do mês de abril, celebra-se no Brasil o Dia de Tiradentes e, junto à pessoa deste, rememoram-se também os acontecimentos que configuraram a Inconfidência Mineira. Neste texto, procuraremos explicitar os motivos pelos quais Tiradentes passou a ser considerado um herói nacional e Patrono da Nação Brasileira.

Sabe-se que “Tiradentes” era o apelido de Joaquim José da Silva Xavier, um alferes (cargo militar da época colonial) que também exerceu a profissão de dentista. Tiradentes participou ativamente de um dos principais movimentos de contestação do poder que a coroa portuguesa exercia sobre o Brasil Colônia: a Inconfidência Mineira. Sabemos que esse movimento articulou-se entre os anos de 1788 e 1789 e foi permeado por ideias provindas do Iluminismo que se alastrou pela Europa, na segunda metade do século XVIII.

Os inconfidentes de Minas Gerais geralmente integravam, com exceção de poucos, a elite cultural e social daquela região (como era o caso do poeta Tomás Antônio Gonzaga) ou então ocupavam postos militares ou exerciam profissões liberais, como era o caso do referido Tiradentes. O que dava unidade ao grupo eram ideias como a de liberdade e igualdade (ideias essas que também fomentaram a Revolução Francesa, em 1789), além do anseio pela emancipação e independência com relação à Coroa Portuguesa, à época governada pela rainha D. Maria, “A louca”.

 Os planos de insurgência contra o governo local em Minas, representado pelo Visconde de Barbacena, foram articulados em 1788 e tiveram como estopim a política de cobrança de impostos sobre a produção aurífera e sobre os rendimentos que ganhava cada pessoa que compunha a população de Minas Gerais. Esse último imposto era conhecido sob o nome de “derrama”. Apesar de terem uma organização bem elaborada, os inconfidentes acabaram por ser delatados por Silvério dos Reis, um devedor de tributos que, com a denúncia, acreditava poder sanar suas dívidas com a coroa.

Todos os inconfidentes foram presos. Tiradentes foi apanhado no Rio de Janeiro. O processo estabelecido contra eles e os subsequentes julgamentos e sentenças só terminaram em 1792, no dia 18 de abril. Os principais líderes receberam a pena do banimento, isto é, foram expulsos do país. Tiradentes, ao contrário, foi enforcado no dia 21 de abril ao som de discursos que louvavam a rainha de Portugal. Seu corpo foi esquartejado e sua cabeça exibida na praça principal da cidade de Ouro Preto.

Evidentemente, o dia da morte de Tiradentes por muito tempo foi compreendido como o dia em que um rebelde foi morto, como típico exemplo de retaliação absolutista. Entretanto, após a Independência do Brasil e, principalmente, após a Proclamação da República (época em que o Brasil, já desvinculado de Portugal, procurava construir sua identidade nacional), a imagem de Tiradentes começou a ser recuperada e louvada como um dos heróis da nação ou como um dos que primeiramente lutaram (até a morte) pela liberdade.


Um exemplo dessa imagem foi a instalação, em 1867, do primeiro monumento a Tiradentes na cidade de Ouro Preto. Outro exemplo, o mais notório, foi a confecção, por parte do pintor Pedro Américo, do quadro “Tiradentes Esquartejado” (ver imagem no topo do texto) em 1893, época em que a República, recém-instituída, procurava os mártires e os patronos da “Nação Brasileira”. O Tiradentes de Pedro Américo traduz a imagem idealizada do martírio, que se aproxima do martírio de Cristo.
Essa visão republicana de Tiradentes permaneceu (e, de certo modo, ainda permanece) no imaginário popular dos brasileiros. Em 1965, durante a primeira fase do regime militar no Brasil, o marechal Castelo Branco, então presidente da República, contribuiu para o reforço dessa imagem de Tiradentes, sancionando a Lei Nº 4. 897, de 9 de dezembro, que instituía o dia 21 de abril como feriado nacional e Tiradentes como, oficialmente, Patrono da Nação Brasileira.


Fonte: Brasil Escola, por Me. Cláudio Fernandes

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Nossa História - O QUILOMBO DOS PALMARES





O Quilombo dos Palmares foi um quilombo da era colonial brasileira. Localizava-se na Serra da Barriga, na então Capitania de Pernambuco, região hoje pertencente ao município de União dos Palmares, no estado brasileiro de Alagoas.
Durante todo o período em que a escravidão foi vigente, os cativos empreenderam formas diversas de escaparem daquela ordem marcada pela repressão e o controle. Dentre as várias manifestações de resistência, os quilombos, também conhecidos como mocambos, funcionavam como comunidades de negros fugidos que conseguiam escapar do controle de seus proprietários.

Sendo local de refúgio, os escravos escolhiam localidades de difícil acesso que impedissem uma possível recaptura. Além disso, os quilombos também eram estrategicamente próximos de algumas estradas onde poderiam realizar pequenos assaltos que garantissem a sua sobrevivência. Não sendo abrigo apenas de escravos, os quilombos também abrigavam índios e fugitivos da justiça.

Um dos quilombos mais conhecidos da história brasileira foi Palmares, instalado na serra da Barriga, atual região de Alagoas. O nome Palmares foi dado pelos portugueses, em razão do grande número de palmeiras encontradas na região da Serra da Barriga, ao sul da capitania de Pernambuco, hoje, estado de Alagoas. Os que lá viviam chamavam o quilombo de Angola Janga (Angola Pequena).

Palmares constituiu-se como abrigo não só de negros, mas também de brancos pobres, índios e mestiços extorquidos pelo colonizador. Os quilombos, que na língua banto significa “povoação”, funcionavam como núcleos habitacionais e comerciais, além de local de resistência à escravidão, já que abrigavam escravos fugidos de fazendas.
 Com o passar do tempo, Palmares se transformou em uma espécie de confederação, que abrigava os vários quilombos que existiam naquela localidade. Seu crescimento ocorreu principalmente entre as décadas de 1630 e 1650, quando a invasão dos holandeses prejudicou o controle sobre a população escrava.

A prosperidade e a capacidade de organização desse imenso quilombo representaram uma séria ameaça para a ordem escravocrata vigente. Não por acaso, vários governos que controlaram a região organizaram expedições que tinham por objetivo estabelecer a destruição definitiva de Palmares. Contudo, os quilombolas resistiram de maneira eficaz e, ao longo de oitenta anos, conseguiram derrotar aproximadamente trinta expedições militares organizadas com este mesmo objetivo.

Mediante a resistência daquela população quilombola e não mais suportando a exaustão das derrotas, o governador de Pernambuco, Aires Sousa e Castro, e Ganga Zumba, importante líder palmarino, assinaram o chamado “acordo de 1678” ou “acordo de Recife”. Por esse tratado, o governo pernambucano reconhecia a liberdade de todos os negros nascidos em Palmares e concedia a utilização dos terrenos localizados na região norte de Alagoas.

Alguns membros do Quilombo não aceitaram o termo estabelecido por Ganga Zumba, que acabou sendo envenenado por seus opositores quilombolas. A partir de então, o controle de Palmares passou para as mãos de Zumbi, que não aceitava negociar com as autoridades e preferia sustentar a situação de conflito. Com essa opção, estava traçado o caminho que culminaria na destruição deste grande quilombo.

Em 1694, sob a liderança do bandeirante paulista Domingos Jorge Velho, as forças oficiais começaram a impor a desarticulação de Palmares. Inicialmente, mesmo ocorrendo a destruição quase definitiva, Zumbi e alguns resistentes fugiram, se organizaram e continuaram lutando. No ano seguinte, Zumbi foi morto e degolado pelos bandeirantes, que enviaram a sua cabeça até Recife como símbolo maior da vitória contra os quilombolas palmarinos.



Atualmente, as lideranças do movimento negro brasileiro reverenciam a ação heroica dos palmarinos e prestigiam Zumbi como um símbolo de resistência. No dia 20 de novembro, mesma data em que Zumbi foi morto, é comemorado o Dia da Consciência Negra. Certamente, Palmares demonstra que a hegemonia da ordem escravocrata foi colocada em dúvida por aqueles indivíduos que negaram se subordinar ao status quo da época.


É simbólico que o Dia Nacional da Consciência Negra não tenha como marco a assinatura da Lei Áurea, que acabou com a escravidão no Brasil, mas não promoveu a justiça social no país. O dia 20 de novembro lembra, na verdade, a morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares e, muito mais do que um feriado prolongado, o dia simboliza uma luta secular por igualdade.



Quilombo dos Palmares hoje Alagoas e Pernambuco



Data comemorativa - 20 de Novembro - DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA





O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, foi instituído oficialmente pela lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011. A data faz referência à morte de Zumbi, o então líder do Quilombo dos Palmares – situado entre os estados de Alagoas e Pernambuco, na região Nordeste do Brasil. Zumbi foi morto em 1695, na referida data, por bandeirantes liderados por Domingos Jorge Velho.

A data de sua morte, descoberta por historiadores no início da década de 1970, motivou membros do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial, em um congresso realizado em 1978, no contexto da Ditadura Militar Brasileira, a elegerem a figura de Zumbi como um símbolo da luta e resistência dos negros escravizados no Brasil, bem como da luta por direitos que seus descendentes reivindicam.

Com a redemocratização do Brasil e a promulgação da Constituição de 1988, vários segmentos da sociedade, inclusive os movimentos sociais, como o Movimento Negro, obtiveram maior espaço no âmbito das discussões e decisões políticas. A lei de preconceito de raça ou cor (nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989) e leis como a de cotas raciais, no âmbito da educação superior, e, especificamente na área da educação básica, a lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que instituiu a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-brasileira, são exemplos de legislações que preveem certa reparação aos danos sofridos pela população negra na história do Brasil.

A figura de Zumbi dos Palmares é especialmente reivindicada pelo movimento negro como símbolo de todas essas conquistas, tanto que a lei que instituiu o dia da Consciência Negra foi também fruto dessa reivindicação. O nome de Zumbi, inclusive, é sugerido nas Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana como personalidade a ser abordada nas aulas de ensino básico como exemplo da luta dos negros no Brasil. Essa sugestão orienta-se por uma das determinações da lei Nº 10.639, que diz no Art. 26-A, parágrafo 1º: “O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.”

A despeito da comemoração do Dia da Consciência Negra ser no dia da morte de Zumbi e do que essa figura histórica representa enquanto símbolo para movimentos sociais, como o Movimento Negro, há muita polêmica no âmbito acadêmico em torno da imagem de Zumbi e da própria história do Quilombo dos Palmares. As primeiras obras que abordaram esse acontecimento histórico, como as de Edison Carneiro (O Quilombo dos Palmares, Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 3a ed., 1966), de Eduardo Fonseca Jr. (Zumbi dos Palmares, A História do Brasil que não foi Contada. Rio de Janeiro: Soc. Yorubana Teológica de Cultura Afro-Brasileira, 1988) e de Décio Freitas (Palmares, a guerra dos escravos. Porto Alegre: Movimento, 1973), abriram caminho para a compreensão da história da fundação, apogeu e queda do Quilombo dos Palmares, mas, em certa medida, deram espaço para o uso político da figura de Zumbi, o que, segundo outros historiadores que revisaram esse acontecimento, pode ter sido prejudicial para a veracidade dos fatos.

Um dos principais historiadores que estudam e revisam a história do Quilombo dos Palmares atualmente é Flávio dos Santos Gomes, cuja principal obra é De olho em Zumbi dos Palmares: História, símbolos e memória social (São Paulo: Claro Enigma, 2011). Flávio Gomes procurou, nessa obra, realizar não apenas uma revisão dos fatos a partir do contato direto com as fontes do século XVI e XVII, mas também analisar o uso político da imagem de Zumbi. Segundo esse autor, o tio de Zumbi, Ganga Zumba, que chefiou o quilombo e, inclusive, firmou tratados de paz com as autoridades locais, acabou tendo sua imagem diminuída e pouco conhecida em razão da escolha ideológica de Zumbi como símbolo de luta dos negros.

Além dessa polêmica, há também o problema referente à própria estrutura e proposta de resistência dos quilombos no período colonial. Historiadores como José Murilo de Carvalho acentuam que grandes quilombos, como o de Palmares, não tinham o objetivo estrito de apartar-se completamente da sociedade escravocrata, tendo o próprio Quilombo dos Palmares participado do tráfico e do uso de escravos. Diz ele, na obra Cidadania no Brasil: “Os quilombos que sobreviviam mais tempo acabavam mantendo relações com a sociedade que os cercava, e esta sociedade era escravista. No próprio quilombo dos Palmares havia escravos”. (CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil. O longo Caminho. 3ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. p. 48).

As polêmicas partem de indagações como: “Se Zumbi, que foi líder do Quilombo de Palmares, possuía escravos negros, a noção de luta por liberdade nesse contexto era bem específica e não pode colocá-lo como símbolo de resistência contra a escravidão”. A própria história da África e do tráfico negreiro transatlântico revela que grande parte dos escravos que a coroa portuguesa trazia para o Brasil Colônia era comprada dos próprios reinos africanos que capturavam membros de reinos ou tribos rivais e vendiam-nos aos europeus. Essa prática também ressoou, como atestam alguns historiadores, em dada medida, nos quilombos brasileiros.

Nesse sentido, a complexidade dos fatos históricos nem sempre pode adequar-se a anseios políticos. Os estudos históricos precisam dar conta dessa complexidade e fornecer elementos para compreender o passado e sua relação com o presente. Entretanto, esse processo precisa ser cuidadoso. O uso de datas comemorativas como marcos de memória suscita esse tipo de polêmica, que deve ser pensada e discutida criteriosamente, sem prejuízo nem das reivindicações sociais e, tampouco, da veracidade dos fatos.

Artigo escrito por Me. Cláudio Fernandes

domingo, 15 de novembro de 2015

Nossa História - SALVE 15 DE NOVEMBRO



Para encerrar os festejos deste feriado de 15 de novembro onde se comemora
“A Proclamação da República do Brasil”, transcrevo abaixo alguns poemas de
um pequeno livro que tenho em minha biblioteca, adquirido em um sebo de
nome POESIAS SOBRE DATAS NACIONAIS – POESIAS DIVERSAS PARA
O CURSO PRIMÁRIO, professora Maria José Pereira Teixeira do Grupo
Escolar Marechal Deodoro, raridade, já pesquisei para saber em que ano foi
escrito mas não encontrei nada, acredito que seja dos anos 50s.

                           AO MARECHAL DEODORO  




Deodoro foi o herói
Que a pátria defendeu
Por isso o Brasil
Seu nome não esqueceu

Salve! Salve! Deodoro!
A ti nossa gratidão
Que parte sinceramente
Do fundo do coração

Salve! mil vezes salve!
O marechal valoroso
Que proclamando a república
Fez o Brasil tão ditoso!

                      SALVE 15 DE NOVEMBRO

Nas páginas de nossa História está gravada
Esta data feliz, por nós sempre lembrada
É o 15 de Novembro, data gloriosa
Na nossa terra que se sente venturosa.

Que saudar com tôda emoção
O valoroso e bravo militar
Deodoro – que com veneração
Nossa pátria – há de sempre lembrar.

                      15 DE NOVEMBRO

Hoje é 15 de Novembro
Data mui venturosa
Em que a república se implantou
Na nossa pátria formosa

Quero dar um viva agora
Com tôda sinceridade
A Deodoro – o marechal
Lembrado aqui com saudade.

              SALVE 15 DE NOVEMBRO

Coleguinhas, aqui venho
Dar a minha saudação
Ao dia da república
De nossa cara nação.

Salve data venturosa
Salve 15 de Novembro
Salve data tão gloriosa
Da qual sempre me lembro.

domingo, 6 de setembro de 2015

Nossa História - BRASIL PÓS INDEPENDÊNCIA - A PRIMEIRA DÍVIDA EXTERNA BRASILEIRA


Na gravura inglesa de 1849, navio negreiro brasileiro é interceptado por embarcação inglesa no Atlântico 


Os primeiros países que reconheceram a independência do Brasil foram os Estados Unidos e o México. Portugal exigiu do Brasil o pagamento de 2 milhões de libras esterlinas para reconhecer a independência de sua ex-colônia. Sem este dinheiro, D. Pedro recorreu a um empréstimo da Inglaterra.

Embora tenha sido de grande valor, este fato histórico não provocou rupturas sociais no Brasil. O povo mais pobre se quer acompanhou ou entendeu o significado da independência. A estrutura agrária continuou a mesma, a escravidão se manteve e a distribuição de renda continuou desigual. A elite agrária, que deu suporte D. Pedro I, foi a camada que mais se beneficiou.

 Em 1826, a Inglaterra, em troca do empréstimo e do apoio prestados, conseguiu, junto a D. Pedro I, renovação dos tratados de 1810 por mais 15 anos. A baixa tributação sobre as mercadorias inglesas propiciou à coroa inglesa do domínio sobre o comércio brasileiro. Por outro lado, o baixo preço das mercadorias importadas inviabilizava o desenvolvimento da produção industrial local, além de provocar crescente déficit na balança comercial brasileira. Como consequência, a necessidade de frequentes empréstimos fazia aumentar cada vez mais a dívida e a dependência econômica do Brasil em relação à Inglaterra, a grande potência da época.  Ah, com a renovação deste tratado, Brasil se comprometeu a acabar com o tráfico de escravos em 4 anos, o que não aconteceu. pois a abolição dos escravos, sendo que o Brasil foi o último o país a reconhecer a libertação da escravatura se deu em 1888.... mas esta é outra história.

Nossa História: A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL - 7 de Setembro de 1822





A Independência do Brasil é um dos fatos históricos mais importantes de nosso país, pois marca o fim do domínio português e a conquista da autonomia política. Muitas tentativas anteriores ocorreram e muitas pessoas morreram na luta por este ideal. Podemos citar o caso mais conhecido: Tiradentes. Foi executado pela coroa portuguesa por defender a liberdade de nosso país, durante o processo da Inconfidência Mineira.

Dia do Fico

Em 9 de janeiro de 1822, D. Pedro I recebeu uma carta das cortes de Lisboa, exigindo seu retorno para Portugal. Há tempos os portugueses insistiam nesta ideia, pois pretendiam recolonizar o Brasil e a presença de D. Pedro impedia este ideal. Porém, D. Pedro respondeu negativamente aos chamados de Portugal e proclamou : "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico."


O processo de independência

Após o Dia do Fico, D. Pedro tomou uma série de medidas que desagradaram a metrópole, pois preparavam caminho para a independência do Brasil. D. Pedro convocou uma Assembleia Constituinte, organizou a Marinha de Guerra, obrigou as tropas de Portugal a voltarem para o reino. Determinou também que nenhuma lei de Portugal seria colocada em vigor sem o " cumpra-se ", ou seja, sem a sua aprovação. Além disso, o futuro imperador do Brasil, conclamava o povo a lutar pela independência.

O príncipe fez uma rápida viagem à Minas Gerais e a São Paulo para acalmar setores da sociedade que estavam preocupados com os últimos acontecimento, pois acreditavam que tudo isto poderia ocasionar uma desestabilização social. Durante a viagem, D. Pedro recebeu uma nova carta de Portugal que anulava a Assembleia Constituinte e exigia a volta imediata dele para a metrópole.

Estas notícias chegaram as mãos de D. Pedro quando este estava em viagem de Santos para São Paulo. Próximo ao riacho do Ipiranga, levantou a espada e gritou : " Independência ou Morte !". Este fato ocorreu no dia 7 de setembro de 1822 e marcou a Independência do Brasil. No mês de dezembro de 1822, D. Pedro foi declarado imperador do Brasil.

fonte: SuaPesquisa.com




CORDEL INFANTIL SOBE A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

“O Brasil fazia parte

do reinado português

Isso foi há muito tempo

imaginem só, vocês…



Portugal nos explorava

levava nossas riquezas

pra suprir necessidades

vindas lá da realeza



Nossa aristocracia

começou um movimento

pra livrar nosso Brasil

do imposto sofrimento



Nosso príncipe regente

o D. Pedro, tão famoso

quis romper com Portugal

tendo sido corajoso!



No riacho Ipiranga

deu um grito muito forte

levantando sua espada:

“Independência ou Morte!”



E então estava feito

o Brasil virou nação

e D. Pedro virou  rei

depois da coroação!



Foi em 7 de setembro

que D. Pedro declarou

o Brasil independente

e a história perdurou



Por isso comemoramos

exaltando o Brasil

viva o nosso país

nossa pátria mãe gentil!”


Mariane Bigio, setembro de 2012.




sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Nossa História - Topografia da Vila de São Vicente em 1852

                           TOPOGRAFIA DA VILA DE SÃO VICENTE EM 1852
Imagem inserida entre as páginas 84 e 85 da obra Capitanias Paulistas, de Benedicto Calixto



Esta planta, organizada pelo pintor e historiador Benedito Calixto em 1922, reconstitui as características da Vila de São Vicente em 1852, indicando o local da primitiva povoação, as mudanças ocorridas nas margens do canal de navegação e na baía de São Vicente desde a época de Martim Afonso.

Clique na imagem para ampliá-la.

Na legenda, são indicadas na vila vicentina a Igreja Matriz e adro (1), a Casa da Câmara e Cadeia (2), o Pelourinho (3), as casas de D. Mafalda (4), do capitão-mor Aguiar (5), de João Marcelino (6) e de D. Sebastiana (7), os locais da antiga Igreja de Santo Antonio (8) e do primitivo Colégio dos Jesuítas (9), e a Bica dos Padres, atual Biquinha de Anchieta (10), além da Casa de Martim Afonso (11), do Porto das Naus e do caminho que levava para o Valongo/Saboó, em Santos, passando pelo Engenho dos Erasmos e pela chácara que seria mais tarde transformada no Cemitério da Filosofia.


fonte: http://www.novomilenio.inf.br/

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Nossa História - Retrato Genético do Brasil









Somos um dos países americanos, ou quem sabe o único, a receber escravos de todas as partes da África. Hoje, as pesquisas genéticas comprovam cientificamente esse fato...

Pesquisadores costumam afirmar, sem exagero, que as riquezas conquistadas pela sociedade brasileira entre os séculos 16 e 19 foram provenientes da mão de obra escrava. Por quase 400 anos, essa se tornou nossa maior força de trabalho. No século 16, foram os índios. Os primeiros carregamentos de cana de açúcar que saíram de Pernambuco rumo à Europa, por exemplo, foi resultado do esforço indígena.

Porém, alguns fatores levaram os donos de engenho trocar os índios pelos negros que começavam a desembarcar no Nordeste. “Em 1539, Duarte Coelho, donatário de Pernambuco, solicitou isenção do imposto que devia pagar pela importação de ‘peças’ africanas”, escreve José Roberto Pinto de Góes, professor de História do Brasil da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e pesquisador da CNPq, em um artigo para a Rede Virtual de Memória Brasileira, da Fundação Biblioteca Nacional, RJ: entre 1531 a 1575 desembarcaram nos portos do Nordeste cerca de 10 mil escravos.
De acordo com o pesquisador Góes, foram três os motivos que levaram os portugueses a fazer a troca. De 1540 a 1560, a população indígena diminuiu consideravelmente devido às mortes ocasionadas seja por guerras ou por epidemias. Em contrapartida, com a criação de novos engenhos por conta da expansão da produção açucareira, houve um aumento substancial da necessidade de mão de obra. Por fim, os portugueses não poderiam deixar de aproveitar a boa relação de negócios que se estabeleceu entre eles e os dirigentes africanos que comandavam o comércio de escravos do outro lado do Atlântico já no fim do século 15: “A captura e o embarque de milhões de pessoas que vieram como escravos para as Américas não teria sido possível se não tivessem existido sólidos interesses ligados ao tráfico transatlântico em ambas as margens do oceano”, pondera o professor José Roberto Pinto de Góes.


Reprodução
Africanos cativos sendo levados para um navio negreiro

© Musée de la Marine / Négrier poursuivu

Reprodução
A doença imperava em tais navios. Os capitães não ganhavam dinheiro pelos escravos doentes, mas eram reembolsados por afogamentos...
Johann Moritz Rugendas

Reprodução
Os africanos foram trazidos para substituir os índios no trabalho escravo
Entre os séc. 16 e 19 vieram cerca de 4 milhões de homens, mulheres e crianças, mais de 1/3 de todo comércio das américas


Para inglês ver

Em pouco tempo, o tráfego negreiro, a despeito de todas as dificuldades encontradas nas viagens, tornou-se uma das transações mais rentáveis do Brasil colônia. No período, houve uma intensa movimentação pelo Atlântico de navios negreiros, também conhecidos como tumbeiros devido ao alto índice de mortes que ocorriam durante as viagens, partindo das costas oeste e leste do continente Africano e desembarcando escravos nos portos de Recife, Salvador e Rio de Janeiro, principalmente.

Essa enorme circulação de pessoas foi um dos maiores deslocamentos populacionais de toda a história da humanidade. “Entre os séculos 16 e 19, mais de 12,5 milhões de africanos foram levados para a América e Europa. Desses, cerca de 10,7 milhões chegaram vivos ao fim da travessia”, contabiliza o historiador Manolo Florentino, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal Fluminense.

De todos os países com cultura escravagista, o Brasil foi o país americano que mais importou mão de obra africana. Entre os séculos 16 e meados do 19, vieram cerca de 4 milhões de homens, mulheres e crianças, o equivalente a mais de um terço de todo comércio negreiro nas Américas, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

As evidências das origens étnicas africanas são, em geral, baseadas em dados históricos. Os primeiros foram os registros dos navios negreiros. Mas nem sempre esses apontamentos estavam corretos. Por razões comerciais, muitos lançamentos eram falsos. Por exemplo: em 1810, Portugal e Inglaterra assinaram o Tratado de Aliança, Comércio e Amizade no qual entre outras coisas, estava previsto a extinção gradual do tráfego de escravos. Mas tudo continuou na mesma. Em 1827, para ser reconhecido como país livre, a Inglaterra fez pressão e o Brasil teve de ratificar o acordo de 1810, prometendo extinguir o tráfego de vez. Por fim, a lei que ficou conhecida como “Lei para inglês” ver foi promulgada em 7 de novembro de 1831, a qual proibia terminantemente o tráfego, sem mais demoras.

“Embora promulgada, a lei foi solenemente ignorada por traficantes, fazendeiros e autoridades”, confirma o professor Góes. Por isso, apesar da proibição e, melhor ainda, com a Coroa portuguesa fora do negócio, os contrabandistas continuaram mais ativos do que nunca até 1850 quando foi aprovada a lei de autoria de Eusébio de Queirós, ministro da Justiça do Segundo Reinado, que regulamentava a extinção total do tráfego de escravos. Portanto, muito contrabando foi feito nesse período de 20 anos. Daí a dúvida sobre os registros da origem de muitos escravos, principalmente dos que afirmavam que o porto de embarque foi em Angola.

“Houve uma intensa movimentação pelo Atlântico de navios negreiros, também conhecidos como tumbeiros devido ao alto índice de mortes que ocorriam durante as viagens, partindo das costas oeste e leste do continente Africano”

Até 1700, os portos de Guiné e Congo, na costa ocidental, eram os maiores exportadores de negros, mas durante o século 18, os navios negreiros saíam com mais frequência de Angola. Os portugueses preferiam fazer seus negócios na costa oeste da África porque conheciam bem o mercado escravista dessa região desde antes do descobrimento do Brasil. Entretanto, durante muitos anos, para driblar a lei e os ingleses, os traficantes em vez de se dirigirem aos portos conhecidos da África Ocidental, desviavam a rota para Moçambique, do outro lado, na costa leste do continente, banhada pelo Oceano Índico. De lá, saiam escravos que eram trazidos para o Brasil e registrados como angolanos.

“A proporção de escravos oriundos da faixa litorânea (hoje Senegal, Guiné-Bissau, Serra Leoa, Libéria, Costa do Marfim, Togo, Benim, Nigéria, Camarões, Gabão, Repúblicas do Congo e Nigéria) pode ter sido de duas a quatro vezes maior”

Também existem evidências históricas de que muitos comerciantes africanos se viram obrigados a avançar mais para o centro do continente à procura de gente, por conta das populações que viviam em toda a extensão litorânea (leste e oeste) e se deslocaram para outras áreas na tentativa de não serem capturadas.


Mil grupos, línguas e culturas

Na verdade, os milhões de africanos que vieram para o Brasil sempre foram considerados como se pertencessem a um só povo, com uma cultura que, ainda por cima, era considerada inferior. Nada mais longe da verdade do que essa hipótese. Ainda hoje, os pesquisadores não sabem identificar com exatidão quais foram (e para onde se dirigiam) as milhares de etnias africanas que chegaram ao Brasil. Para confundir ainda mais, quando chegavam, os escravos recebiam o nome do porto de seu embarque. Os principais eram da Costa da Mina, de Luanda, de Benguela (Angola) e de Cabinda (Congo). Como consequência, os escravos passavam a ser chamados de Maria Mina ou Antonio
Cabinda, por exemplo.

Entretanto, hoje já se sabe que pelo porto de Luanda – de onde saiu a maior quantidade de escravos para o Brasil – embarcaram as etnias dembo, ambundo, imbangala, lunda, entre outras. Já do centro e do leste do continente africano, em geral, do porto de Moçambique, partiram outras etnias também do grupo Banto, que falavam vários idiomas como o umbundo, o quimbundo, o kicongo, o nagô e o macua.


Não fica difícil imaginar a complicação que ainda é para os pesquisadores definir quais as verdadeiras raízes étnicas e culturais das várias regiões do Brasil que receberam os escravos que se tornaram fundamentais na construção e na identidade do povo brasileiro – seja de São Luiz do Maranhão, Rio de Janeiro ou Porto Alegre.


Jean-Baptiste Debret
A proporção de homens e mulheres iorubás, jejes e malês capturados na África Ocidental supera em muito o cálculo estimado, há anos, por pesquisadores americanos


Para resgatar parte dessa história ainda não de todo esclarecida, os geneticistas Sérgio Danilo Pena, pesquisador e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Maria Cátira Bortolini, pesquisadora e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul realizaram um estudo de suma importância para a história e para a maioria dos brasileiros que, independente da cor da pele, recebeu como legado os genes dos escravos que vieram para cá.

Analisando o DNA de pessoas que vivem em três capitais brasileiras, os pesquisadores compararam o padrão de alterações genéticas compartilhado por africanos e brasileiros. Dessa maneira, puderam saber qual a participação de cada região africana no envio dos escravos para o Brasil. Os resultados confirmaram que três regiões (oeste, centro-oeste e sudeste), foram as que mais exportaram mão de obra para cá. Até aí, tudo bem. As pesquisas históricas já tinham revelado esse fato.

A novidade é que a proporção de homens e mulheres iorubás, jejes e malês, por exemplo, capturados na África Ocidental, vasta região litorânea banhada pelo Atlântico, pode ter superado em muito o cálculo estimado há anos por pesquisadores americanos. Avaliando registros de viagem dos africanos, Herbert Klein, da Universidade de Colúmbia, e David Eltis, da Universidade Emory, ambas nos Estados Unidos, calcularam que, no total, 10% dos escravos teriam vindo da região oeste da África.

“85% dos negros brasileiros têm uma ancestral africana, enquanto a herança genética de um antepassado escravo é de 47%. O restante dos negros brasileiros, em sua linhagem paterna, apresentou a genética de sua ancestralidade europeia”

O material genético analisado pelos pesquisadores Sérgio Pena e Maria Cátira Bortolini revelou que a proporção de escravos oriundos da faixa litorânea que hoje compreende países como Senegal, Guiné- Bissau, Serra Leoa, Libéria, Costa do Marfim, Togo, Benim, Nigéria, Camarões, Gabão, as duas Repúblicas do Congo e Nigéria pode ter sido de duas a quatro vezes maior do que supunham os pesquisadores americanos. Mesmo com a correção dos cálculos, no total, o número dos escravos vindos de Angola (considerada como parte da região centro-oeste africana), antiga colônia portuguesa que conseguiu sua independência somente em 1975, ainda supera o de qualquer outra região.



O tráfego em números

Segunda conclusão da pesquisa: a proporção dos escravos vindos do oeste africano não foi a mesma para todas as regiões brasileiras. Os geneticistas Sérgio Pena e Vanessa Gonçalves analisaram amostras de sangue de 120 paulistas que se consideravam negros, bem como aos seus pais e avós. Resultado: 40% desses paulistas apresentavam material genético típico do oeste africano.


Jean-Baptiste Debret
Pintura de Rugendas

Essa proporção, no entanto, foi menor no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, segundo artigo das geneticistas Maria Cátira e Tábita Hünemeier da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), publicado no American Journal of Physical Anthropology. Dos 94 negros cariocas, 31% herdaram de seus antepassados a genética do oeste africano, que também esteve presente em 18% dos 107 gaúchos.

Para tentar entender as diferenças, foi a vez dos geneticistas saírem em busca de fatos históricos que confirmassem seus resultados. Foi aí que conseguiram entender as discrepâncias nos percentuais dos três Estados.

Nos séculos 16 e 17, os africanos da costa oeste chegaram aos portos de Salvador e Recife e foram trabalhar nos engenhos de cana-de-açúcar. Porém, anos mais tarde, com a decadência da produção açucareira, parte dessa mão de obra se deslocou para os cafezais que floresciam no Estado de São Paulo. Daí o Estado apresentar uma maior proporção de descendentes de escravos oriundos da costa oeste.

Já a geneticista Maria Cátira Bortoloni acredita que a baixa concentração de indivíduos originários da região em Porto Alegre aconteceu por uma causa indireta: 80% da mão de obra africana do Rio Grande do Sul vinha do Rio de Janeiro, que recebia escravos de todos os lugares. Os escravos do sul também vieram de Moçambique (no sudeste africano), mas em menor proporção (12%). Principalmente depois que a Inglaterra aumentou o controle sobre os portos africanos situados no Atlântico, muitos deles tiveram alterados seus registros de entrada como sendo originários de Angola.


Mamma África

Outro resultado encontrado pelos pesquisadores é que, embora tenham vindo muito mais homens do que mulheres, o negro brasileiro contemporâneo traz em seu material genético uma contribuição bem maior das mães africanas. Ou seja, 85% dos negros brasileiros têm uma ancestral africana, enquanto a herança genética de um antepassado (homem) escravo é de 47%. O restante dos negros brasileiros, em sua linhagem paterna, apresentou a genética de sua ancestralidade europeia.

Esses dados vieram confirmar a teoria do sociólogo pernambucano Gilberto Freyre que em seu clássico ensaio sobre a formação do povo brasileiro, escrito em 1933, relatou que as mulheres da senzala exerceram um fascínio todo especial sobre os senhores de engenho, brancos de origem europeia e que habitavam a casa-grande.

Texto: Rose Mercatelli



Saiba +
- Rede Virtual de Memória Brasileira, da Fundação Biblioteca Nacional, RJ http://bndigital.bn.br/redememoria/escravidao.htm
- Brasil: 500 anos de Povoamento, IBGE, RJ, 2000
- Em Costas Negras, Manolo Florentino, Companhia das Letras, 1997


domingo, 5 de julho de 2015

Nossa História - BRASIL NO OLHAR DOS VIAJANTES - "DEBRET"

Barbeiros ambulantes, aquarela, Jean Baptiste Debret, 1826


Jean-Baptiste Debret ou De Bret (Paris, 18 de abril de 1768 — Paris, 28 de junho de 1848) foi um pintor, desenhista e professor francês. Integrou a Missão Artística Francesa (1817), que fundou, no Rio de Janeiro, uma academia de Artes e Ofícios, mais tarde Academia Imperial de Belas Artes, onde lecionou em uma fazenda.

De volta à França (1831) publicou Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil (1834-1839), documentando aspectos da natureza, do homem e da sociedade brasileira no início do século XIX. Uma de suas obras serviu como base para definir as cores e formas geométricas da atual bandeira republicana, adotada em 19 de novembro de 1889.

Sobre a obra Viagem pitoresca e histórica ao Brasil:

Em Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil, Debret revela sua profunda relação pessoal e emocional com o país, adquirida nos 15 anos em que ali viveu.
Jean-Baptiste Debret - gerreiro indígena a cavalo

Apesar de ter alegado motivos de saúde para retornar à França, há outras duas hipóteses para sua volta: deveria talvez querer o retorno para se reencontrar com familiares, além de organizar o primeiro volume de Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil. Outra hipótese sugere que, como em 1831 tinha 63 anos, sua obra seria uma espécie de "trabalho para aposentadoria", visto que uma tal produção (almanaques de viajantes - livros com textos acompanhando imagens) fazia bastante sucesso no início do século XIX - quando Debret partiu para o Brasil - e poderia render uma boa aposentadoria (o que de qualquer forma não foi o que acabou acontecendo: quando da volta à França, esse tipo de publicação já não fazia o mesmo sucesso e a obra causou pouco impacto na França).

Debret tenta mostrar aos leitores - em especial europeus - um panorama que extrapolasse a simples visão de um país exótico e interessante apenas do ponto de vista da história natural. Mais do que isso, tentou criar uma obra histórica; mostrar com detalhes e minuciosos cuidados a formação - especialmente no sentido cultural - do povo e da nação brasileira; procurou resgatar particularidades do país e do povo, na tentativa de representar e preservar o passado do povo, não se limitando apenas a questões políticas, mas também a religião, cultura e costumes dos homens no Brasil.

Por estas razões, a obra de Debret é considerada grande contribuição para o Brasil, e é frequentemente analisada por historiadores como uma representação (um tanto quanto realista, apesar de não ser perfeita) do cotidiano e sociedade do Brasil – em especial, da vida no Rio de Janeiro – de meados do século XIX. 
Jean-Baptiste Debret - castigo a escravo

Publicada em Paris, entre 1834 e 1839, sob o título Voyage Pittoresque et Historique au Brésil, ou séjour d´un artiste française au Brésil, depuis 1816 jusqu´en en 1831 inclusivement, a obra é composta de 153 pranchas, acompanhadas de textos que elucidam cada retrato.

Tal estilo de obra  não era muito comum entre os artistas que vinham ao Brasil para retratar o país, o que aumenta ainda mais o destaque e importância de Debret: a obra não é considerada tão importante apenas por aspectos artísticos, mas justamente pela combinação de interesse em retratar o cotidiano, com a presença de textos descrevendo as litografias. Preocupando-se com o sentido dos textos, Debret os compara com as ilustrações contidas em seus trabalhos, e é por isso que o aspecto historiográfico é colocado em primeiro plano em relação ao aspecto propriamente artístico.

 
Em "Cena de carnaval", de Debret, escravas de ganho
 em meio à violência do entrudo
O próprio título da obra de Debret apresenta este certo compromisso que ele tentou adquirir nas representações e descrições do Brasil. O uso da palavra “pitoresca” no título Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil denota uma certa precisão, habilidade e talento; características que buscou em suas representações. Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil pode ser considerada uma obra em estilo europeu, feita para europeus, visto que o estilo de livro (almanaque) fazia um certo sucesso na Europa na época. 

O livro é dividido em 3 tomos: no primeiro, de 1834, estão representados índios, aspectos da mata brasileira e da vegetação nativa em geral. O segundo tomo, de 1835, concentra-se na representação dos escravos negros, no pequeno trabalho urbano, nos trabalhadores e nas práticas agrícolas da época. Já o tomo terceiro, de 1839, trata de cenas do cotidiano, das manifestações culturais, como as festas e as tradições populares.



EXPOSIÇÃO DAS OBRAS DE DEBRET:

Os Museus Castro Maya, localizados nos bairros cariocas de Santa Teresa e Alto da Boa Vista, possuem alguns dos mais completos acervos das obras de Jean-Baptiste Debret (1768-1848), o francês que viveu por 15 anos no Rio de Janeiro – onde fundou uma escola de belas-artes e foi nomeado o pintor oficial da corte. Mas a coleção Castro Maya é pouco vista pelo público: apenas uma fração dos quadros se encontra em exposição regular.

“Os desenhos e as gravuras eram a única forma de as pessoas conhecerem lugares distantes, e os europeus tinham muita curiosidade por esses locais exóticos do Novo Mundo, como o Brasil”, diz Anna Paola Baptista, curadora da exposição. “Debret é o cronista maior da vida brasileira na primeira metade do século XIX. Ele acompanhou e documentou visualmente o início do Brasil como nação independente, e especialmente o Rio de Janeiro.”

Depois da queda de Napoleão Bonaparte, Debret aceitou o convite de D. João para integrar a missão artística que viria ao Brasil e criar uma escola de belas-artes. A morte do único filho, aos 19 anos de idade, também contribuiu para a decisão de Debret de deixar a França. Instalado no Rio em 1817, retratou o cotidiano e os costumes dos cariocas.

O dia a dia nas praças, mercados e no cais do porto, a negociação de escravos no centro, e a movimentação dos cidadãos nas ruas. Pintou também ocasiões históricas, como a aclamação do Dom João VI, a ascensão de D. Pedro I com a proclamação da independência, em 1822, a chegada de D. Leopoldina e a coroação de D. Pedro II, em 1831. Pouco depois, Debret retornaria à França, onde editaria o livro Viagem histórica e pitoresca ao Brasil, compilando sua visão do país.
A importância do artista, responsável por apresentar o Brasil à Europa, se tornaria crucial também no país que retratou. “Ele se tornou um cronista do nosso passado. Nós passamos a imaginar o Rio do início do século XIX por meio das gravuras de Debret. Seus desenhos ilustram há gerações os livros didáticos de história do Brasil”, completa a curadora.



sábado, 4 de julho de 2015

Nossa História - QUADRINHOS ANIMADOS - D. JOÃO CARIOCA: A CORTE NO BRASIL



O Canal Futura exibiu uma série de 12 programetes baseados na Revista em Quadrinhos "Dom João Carioca: a Corte no Brasil", de Spacca, escritor e ilustrador, e da historiadora Lilia Moritz Schwarcz. Em vídeos de até cinco minutos, a série conta os principais fatos que ocorreram no período joanino, os 13 anos que Dom João esteve no Brasil. Movimentos de câmera, trilha sonora e dublagem dão vida aos desenhos originais.

EPISÓDIO I - Dom João no Brasil - Nos tempos de Bonaparte

O episódio mostra o contexto histórico de Lisboa à época da iminente invasão de Napoleão. O grande general francês está tomando a Europa, expandindo os seus domínios. A França quer impor o Bloqueio Continental a Portugal e essa pressão faz com que o príncipe regente, Dom João, fique entre França e Inglaterra seu aliado histórico. Surge então a ideia de fugir com a Corte para a maior de suas colônias, o Brasil. Assim, o príncipe não se submeteria a Napoleão, não perderia a coroa e teria a Inglaterra ao seu lado.



EPISÓDIO 2 - Ir ou não ir, eis a questão


As tropas de Napoleão estão a caminho de Portugal. O general francês ameaça tirar a coroa de Dom João se ele continuar aliado da Inglaterra. O indeciso príncipe regente refuga até o último minuto, quando finalmente decide partir para a colônia. A princesa Carlota Joaquina é terminantemente contra, mas é obrigada a aceitar a decisão do marido. Apesar da revolta do povo português, no dia 29 de novembro de 1807, a Corte inteira embarca às pressas para o Brasil, escoltadas por naus inglesas - um acordo que seria o início da dívida externa do Brasil.




EPISÓDIO 3 - Homens ao mar!

O episódio mostra a viagem marítima de Dom João e da Corte para o Brasil, com todos os perigos que oferecia. Foram dois meses de desconforto e mal-estar navegando até a costa brasileira. Sem água a bordo, os portugueses bebiam vinho de péssima qualidade, enfrentavam um calor infernal e um tripulante indesejado, o piolho. Conclusão: todas as mulheres, inclusive a princesa Carlota Joaquina, são obrigadas a rasparem os cabelos. Não se sabe ao certo, mas calcula-se que tenham embarcado cerca de dez mil pessoas. E o Brasil, às pressas, começa a se preparar para recebê-las.




EPISÓDIO 4 - Venha cá, meu rei.


 Dom João e a Corte portuguesa chegam a Salvador, causando um alvoroço na cidade. No dia 28 de janeiro, Dom João decreta a abertura dos portos às nações amigas, o que, na verdade, era inevitável, porque o Brasil precisava abrir os portos à Inglaterra. mas a carta régia abria os portos para as nações que, em breve, iriam concorrer com os ingleses. Antes de zarpar para o Rio, Dom João ainda cria uma Escola de Cirurgia, autoriza fábricas de vidro e de pólvora e uma companhia de seguros.




EPISÓDIO 5 - Olha a corte aí, gente!


 No dia 8 de março de 1808, a Corte portuguesa desembarca no Rio de Janeiro, sede do vice-reinado. Para alojar todas as pessoas que acabavam de chegar, a coroa desapropriou milhares de brasileiros, pintando nas portas as siglas "P.R.", de propriedade real, que logo o povo apelidou de "ponha-se na rua". Houve uma profunda mudança na cidade, começando pelos inúmeros navios que não paravam de chegar ao porto, que não estava preparado para receber navios do mundo inteiro. Embarcações de Londres, África, Oriente e até Oceania vinham para o Brasil sem precisar passar por Lisboa.




EPISÓDIO 6 - Uma corte brasileira, com certeza



EPISÓDIO 7 - Um jardim, uma igreja e muitos títulos, ora pois


Assim que chegou ao Rio, Dom João declarou guerra à França. As forças luso-britânicas desembarcam em Caiena, capital da Guiana Francesa, e, depois do combate, o governador francês rende-se, em 1809. Foi a vingança de Dom João contra Napoleão. Nessa época, Dom João tentava criar no Rio o que havia em Portugal. Em 1808, sai o primeiro jornal publicado no país, a Gazeta do Rio de Janeiro. O jornal funcionava como um órgão do gorverno, onde se publicavam decretos e notícias de acordo com a vontade de Corte.










EPISODIO 8 - A Colônia que virou Metrópole


Em 1808, Dom João permite a instalação de fábricas no Brasil e cria o Banco do Brasil. O episódio destaca a participação de Dom Rodrigo nas decisões políticas. O ministro, que tendia para os interesses da Inglaterra, tentava convencer o príncipe pelo término do comércio de escravos, mas Dom João temia desagradar a traficantes, donos de engenho e mineradores. Só em 1850, 24 anos depois da morte de Dom João, é que o tráfico foi proibido pela Lei Eusébio de Queiróz.





EPISÓDIO 9 - Pintando os Brasis.

Com a derrota de Napoleão, embaixadores das grandes nações europeias se reúnem no Congresso de Vienna para definir o mapa de Europa e restaurar o Antigo Regime dos reis absolutos. Portugal tenta barganhar umas terrinhas a mais para o Império. No episódio, o Brasil é elevado a Reino. Dona Maria I morre, Dom João e Carlota, agora são rei e rainha. Nesta época chega à corte um grupo de artistas franceses que serviam a Napoleão e pediam asilo ao rei do Brasil. Liderados por Joachim Lebreton, o arquiteto Grandjean de Montigny, os pintores Debret e Taunay, os escultores Irmãos Ferrez e muitos outros chegam para retratar os Brasis.






EPISÓDIO 10 - Casamentos arranjado, sonho frustado

O episódio é dedicado a Dona Leopoldina, que viria a ser a primeira imperatriz do Brasil. A arquiduquesa austríaca casa-se por precaução com Dom Pedro e é recebida com festa no Rio, em 1817. Além das damas de honra e outras serviçais, Dona Leopoldina traz uma equipe de artistas e cientistas, como o pintor Thomas Ender, o zoólogo Natterer, o botânico Pohl e os naturalistas Spix e Martius. A princesa era dedicada, culta, praticamente uma cientista amadora. Já Dom Pedro gostava de artes militares e era mulherengo.




EPISÓDIO 11 - Sem perder a majestade

Dom João é aclamado rei de Portugal, Brasil e Algarves. Mas, na terrinha, as coisas não andavam muito bem: a insatisfação do povo com o descaso da Corte culmina na Revolução Liberal do Porto. Os portugueses exigem, entre outras coisas, o retorno de Dom João a Lisboa.











EPISÓDIO 12 - Adeusinho!!!


Dom João continua a ser pressionado para voltar a Portugal. Ele declara aderir e adotar para o Reino do Brasil a Constituição portuguesa, com modificações. O povo português reage e exige a constituição sem restrições. Pressionado, Dom João aceita, mas os portugueses só se acalmariam com a presença do rei. Sem outra alternativa, o regente decide pelo retorno e embarca no dia 24 de abril de 1821. Raspa os cofres e leva cerca de 3.000 e cinquenta milhões de cruzados do Banco do Brasil. Dom Pedro fica com o desafio de administrar um país sem fundos, com crises políticas e desavenças, que levariam à independência um ano depois, sob sua liderança.