O LIVRO

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domingo, 15 de novembro de 2015

Nossa História - SALVE 15 DE NOVEMBRO



Para encerrar os festejos deste feriado de 15 de novembro onde se comemora
“A Proclamação da República do Brasil”, transcrevo abaixo alguns poemas de
um pequeno livro que tenho em minha biblioteca, adquirido em um sebo de
nome POESIAS SOBRE DATAS NACIONAIS – POESIAS DIVERSAS PARA
O CURSO PRIMÁRIO, professora Maria José Pereira Teixeira do Grupo
Escolar Marechal Deodoro, raridade, já pesquisei para saber em que ano foi
escrito mas não encontrei nada, acredito que seja dos anos 50s.

                           AO MARECHAL DEODORO  




Deodoro foi o herói
Que a pátria defendeu
Por isso o Brasil
Seu nome não esqueceu

Salve! Salve! Deodoro!
A ti nossa gratidão
Que parte sinceramente
Do fundo do coração

Salve! mil vezes salve!
O marechal valoroso
Que proclamando a república
Fez o Brasil tão ditoso!

                      SALVE 15 DE NOVEMBRO

Nas páginas de nossa História está gravada
Esta data feliz, por nós sempre lembrada
É o 15 de Novembro, data gloriosa
Na nossa terra que se sente venturosa.

Que saudar com tôda emoção
O valoroso e bravo militar
Deodoro – que com veneração
Nossa pátria – há de sempre lembrar.

                      15 DE NOVEMBRO

Hoje é 15 de Novembro
Data mui venturosa
Em que a república se implantou
Na nossa pátria formosa

Quero dar um viva agora
Com tôda sinceridade
A Deodoro – o marechal
Lembrado aqui com saudade.

              SALVE 15 DE NOVEMBRO

Coleguinhas, aqui venho
Dar a minha saudação
Ao dia da república
De nossa cara nação.

Salve data venturosa
Salve 15 de Novembro
Salve data tão gloriosa
Da qual sempre me lembro.

LIVRO - O POVO BRASILEIRO - Darcy Ribeiro



"Para osquechegavam, omundoemqueentravameraaarenados seus
ganhos,em ouroeglórias. Para osíndios quealiestavam, nus na praia, o
mundoeraumluxodeseviver.Estefoioencontrofatalquealisedera.Ao
longodaspraiasbrasileirasde1500,sedefrontaram,pasmosdeseverem
unsaosoutros talqualeram,aselvageriaeacivilização.Suasconcepções,
não diferentesmas opostas, domundo, da vida, damorte, do amor, se
chocaram cruamente. Os navegantes, barbudos, hirsutos, fedentos,
escalavradosdeferidasdeescorbuto,olhavamoquepareciaserainocência
e a beleza encarnadas. Os índios, esplêndidos de vigor e de beleza, viam,
aindamaispasmos,aquelesseresquesaíamdomar."


Darcy Ribeiro
"Darcy Ribeiro é um dos maiores intelectuais que o Brasil teve. Não
apenas pela alta qualidade do seu trabalho e da sua produção de
antropólogo, de educador e de escritor, mas também pela incrível
capacidadedevivermuitasvidasnumasó,enquantoamaioriadenós mal
consegueviveruma."



AntonioCandido,FolhadeS.Paulo


ASSISTA DOCUMENTÁRIO 'O POVO BRASILEIRO' -  https://www.youtube.com/watch?v=Dmi0Jn_9sPA&list=PLjHmQpe56BuI4KCZZzCETWKT5afqFL-lo


Baixe o livro  "O Povo Brasileiro", de Darcy Ribeiro

RESENHA DO LIVRO 'O POVO BRASILEIRO', por Fábio de Oliveira Ribeiro. 
Logo na introdução, Darcy Ribeiro desfaz o mito da integração racial pacífica. Segundo ele a unidade nacional resultou de “...um processo continuado e violento de unificação política, logrado mediante um esforço deliberado de supressão de toda identidade étnica discrepante e de repressão e opressão de toda tendência virtualmente separatista.” Portanto, esqueça todas as belas e possivelmente inverídica palavras que você já leu sobre este país. O Brasil não foi palco nem de uma farsa, nem de uma comédia, mas de uma tragédia.



Por baixo da aparente “...uniformidade cultural brasileira, esconde-se uma profunda discrepância, gerada pelo tipo de estratificação que o processo de formação nacional produziu. O antagonismo classista que corresponde a toda estratificação social aqui se exacerba, para opor uma estreitíssima camada privilegiada ao grosso da população, fazendo as distâncias sociais mais intransponíveis que as diferenças raciais.”



Em razão deste processo “...as elites dirigentes, primeiro lusitanas, depois luso-brasileiras e, afinal, brasileiras, viveram sempre e vivem ainda sob o pavor pânico do alçamento das classes oprimidas.” O Brasil não é um país de oportunidades. A mobilidade social é praticamente inexistente. “O mais grave é que esse abismo não conduz a conflitos tendentes a transpô-lo, porque se cristalizaram num ‘modus vivendi’ que aparta os ricos dos pobres, como se fossem castas e guetos. Os privilegiados simplesmente se isolam numa barreira de indiferença com a sina dos pobres, cuja miséria repugnante procuram ignorar ou ocultar numa espécie de miopia social, que perpetua a alteridade. O povo massa, sofrido e perplexo, vê a ordem social como um sistema sagrado que privilegia uma minoria contemplada por Deus, à qual tudo é consentido e concedido.”



Um exemplo claro de como as desigualdades originais ainda ecoam e são reforçadas na sociedade brasileira pode ser visto todos os dias nos telejornais. Se alguém da classe rica morre a cobertura jornalística é intensa, dramática e individualiza detalhadamente a vítima. O morto tem direito à uma história, sua perda é lamentada em função daquilo que ainda estaria em condição de realizar.



Quando os pobres são abatidos como moscas nos conflitos entre policiais e traficantes a imprensa relata apenas o que considera essencial: “conflito no morro do Alemão fez 19 vitimas”. Recentemente, no horário nobre, a Rede Globo despretensiosamente assumiu a versão de que “todos os 19 mortos no morro do Alemão eram criminosos”. Ao contrário do janota, os pobres não têm história. E apesar da CF88 prescrever que todos são iguais perante a Lei, a imprensa nega aos pobres brasileiros o direito de serem considerados honestos,  processados e condenados pelo Poder Judiciário ao invés de abatidos como animais. A mídia transforma a pobreza em crime e reforça esta idéia nos expectadores pobres.



No primeiro capítulo, Darcy nos dá um panorama do Novo Mundo. E nos diz o que poucos tem dito “...só temos o testemunho de um dos protagonistas, o invasor. Ele é quem nos fala de suas façanhas. É ele também, quem relata o que decidiu aos índios e negros, raramente lhes dando a palavra de registro de suas próprias falas. O que a documentação copiosíssima nos conta é a versão do dominador.”



No segundo capítulo, o autor trata da gestação ética, ou seja, do processo de fusão das matrizes indígena, negra e lusitana. “Custando uma quita parte do preço de um negro importado, o índio cativo se converteu no escravo dos pobres, numa sociedade em que os europeus deixaram de fazer qualquer trabalho manual. Toda tarefa cansativa, fora do eito privilegiado da economia de exportação, que cabia aos negros, recaía sobre o índio.” É interessante notar que a legislação colonial proibia expressamente a escravização do gentio. Mas então como agora os privilegiados não eram lá muito legalistas.



À medida que os portugueses faziam filhos nas negras e índias, uma nação de mestiças foi sendo criada. “Os brasilíndios ou mamelucos paulistas foram vítimas de duas rejeições drásticas. A dos pais, com quem queriam identificar-se, mas que os viam como impuros filhos da terra, aproveitavam bem seu trabalho quando meninos e rapazes e, depois, os integravam a suas bandeiras, onde muitos deles fizeram carreira. A segunda rejeição era do gentio materno. Na concepção dos índios, a mulher é um simples saco em que o macho deposita a semente. Quem nasce é o filho do pai, e não da mãe, assim visto pelos índios. Não podendo identificar-se com uns nem com outros de seus ancestrais, que o rejeitavam, o mameluco caía numa terra de ninguém, a partir da qual constrói sua identidade de brasileiro.”



Nem todas as tribos indígenas tiveram o mesmo destino. Algumas foram exterminadas em razão de serem hostis. Outras fugiram para o interior. Outras, ainda, foram desmanteladas nos descimentos. À medida que o gentio do litoral se tornava escasso, os colonos e seus mamelucos capturavam índios das mais diversas origens culturais e lingüísticas no interior e os reuniam em grandes aldeamentos próximos ao litoral onde ficavam à disposição para serem escravizados e catequizados. Mas alguns “...grupos tribais, ainda que conscritos à economia colonial, lograram manter certa autonomia na qualidade de aliados dos brancos para suas guerras contra outros índios. O relevante neste caso é que, em lugar de amadurecerem para a civilização - passando progressivamente da condição tribal à nacional, da aldeia à vila, como supuseram tantos historiadores - , esses núcleos autônomos permaneceram irredutivelmente indígenas ou simplesmente se extinguiram pela morte de seus integrantes.”



Algum tempo depois de consolidar a ocupação do litoral, os portugueses começaram a trazer os negros africanos para a lida nos engenhos de açúcar. “A diversidade lingüística e cultural dos contingentes negros introduzidos no Brasil, somada a essas hostilidades recíprocas que eles traziam da África e à política de evitar a concentração de escravos oriundos de uma mesma etnia, nas mesmas propriedades, e até nos mesmos navios negreiros, impediu a formação de núcleos solidários que retivessem o patrimônio cultural africano.” Portanto, o processo de destruição das culturas indígenas e negras foi bastante semelhante.



Ribeiro descreve em detalhes o empreendimento colonial. “A empresa escravista, fundada na apropriação de seres humanos através da violência mais crua e de coerção permanente, exercida através dos castigos mais atrozes, atua como uma mó desumanizadora e deculturadora de eficácia incomparável. Submetido a essa compressão, qualquer povo é desapropriado de si, deixando de ser ele próprio, primeiro, para ser ninguém ao ver-se reduzido a uma condição de bem semovente, como um animal de carga; depois, para ser de outro, quando transfigurado etnicamente na linha consentida pelo senhor, que é a mais compatível com a preservação dos seus interesses.”



Apoiado em vasta literatura, Darcy Ribeiro informa que o “...tupi foi a língua materna desses neobrasileiros até meados do século XVIII.” Sobre o nome Brasil esclarece que velhas “...cartas do mar oceano traziam registros de uma ilha Brasil referida provavelmente por pescadores ibéricos que andavam a cata de bacalhau...”. Portanto, não foi o Pau Brasil que deu o nome ao país. O mais provável é que os habitantes da terra que utilizavam o nome Brasil o tenham atribuído à arvore que constituiu a primeira grande matéria prima extraída do Novo Mundo.



Apesar da carência de registros genuinamente indígenas (ou seja, produzidos pelos índios), o autor sustenta que “...o Brasil é a realização derradeira e penosa dessas gentes tupis, chegadas à costa atlântica um ou dois séculos antes dos portugueses, e que, desfeitas e transfiguradas, vieram dar no que somos: latinos tardios de além-mar, amorenados na fusão com brancos e com pretos, deculturados das tradições de suas matrizes ancestrais, mas carregando sobrevivências delas que ajudam a nos contrastar tanto com os lusitanos.”



A tese de Dacy Ribeiro se coaduna com a toponímia tupi que foi preservada pelos brasileiros. Quase todos os nomes das localidades, rios, acidentes do terreno, etc. na costa ou próximo da costa são de origem Tupi. Quando subiram a serra através dos “peabirús” (caminhos de índio que já existiam antes de 1500) os portugueses chegaram a “Piratininga“, aldeamento provisório próximo aos rios “tietê” e “tamanduateí”.



Sempre bastante cuidadoso o autor afirma que o “...surgimento de uma etnia brasileira, inclusiva, que possa envolver a gente variada que aqui se juntou, passa tanto pela anulação das identificações étnicas de índios, africanos e europeus, como pela diferenciação entre as várias formas de mestiçagem, como os mulatos (negros com brancos), caboclos (brancos com índios) e curibocas (negros com índios).”



O nascimento da consciência brasileira remonta a Gregório de Matos (1633-1696). Os textos de Anchieta, Nóbrega e outros letrados foram desconsiderados porque eles se identificavam mais com a etnia do colonizador do que com a gente da terra. Já Gregório de Matos zombava da nobreza baiana usando uma perspectiva que o aproximava mais dos habitantes nativos.



“A historieta clássica, tão querida dos historiadores, segundo a qual os índios foram amadurecendo para a civilização de forma que cada aldeia foi se convertendo em vila, é absolutamente inautêntica.” Segundo Darcy Ribeiro o “...índio é irredutível em sua identificação étnica, tal como ocorre com o cigano ou com o judeu. Mais perseguição só os afunda mais convictamente dentro de si mesmos.” Sendo assim, a incorporação dos índios ao patrimônio nacional “...só se faz no plano biológico e mediante o processo, tantas vezes referido, de gestação de mamelucos, filhos do dominador com as mulheres desgarradas de sua tribo, que se identificavam com o pai e se somavam ao grupo paterno.”



Um pouco mais adiante o autor dá detalhes escabrosos do tráfico negreiro. O contingente de negros incorporados ao empreendimento colonial era 30.000 em 1600; quantia esta que subiu para 1.500.000 em 1800. Darcy Ribeiro frisa, entretanto, que é difícil quantificar o total de negros que foram trazidos ao Brasil. Mas alerta que “...os concessionários reais do tráfico negreiro tiveram um dos negócios mais sólidos da colônia, que duraria três séculos, permitindo-lhes transladar milhões de africanos ao Brasil e, deste modo, absolver a maior parcela do rendimento das empresas açucareiras, auríferas, de algodão, de tabaco, de cacau e de café, que era o custo da mão-de-obra escrava.“ Aos negros devemos não só a construção das cidades coloniais, mas a introdução das técnicas de mineração. Em razão de seus cálculos, o autor concluiu que “um total de 6.352.000 escravos <foram> importados entre 1540 e 1860.”



O terceiro capítulo do livro é simplesmente primoroso. Usando uma escrita envolvente e absolutamente envolvente, Dacy Ribeiro narra as Guerras do Brasil e os descaminhos da Empresa Brasil. “O conflito interétnico se processo no curso de um movimento secular de sucessão ecológica entre a população original do território e o invasor que fustiga a fim de implantar um novo tipo de economia e sociedade. Trata-se, por conseguinte, de uma guerra de extermínio.” Os capítulos desta guerra são conhecidos: guerra entre portugueses e índios que não aceitaram o jugo luso (Revolta dos Tamoios); guerra entre colonos e jesuítas que defendiam os índios; guerras entre lusitanos e caboclos (Cabanos); guerra entre negros fugidos e senhores de escravos (Palmares) e guerras entre pobres e fazendeiros (Canudos).



Todos os conflitos referidos e detalhados pelo autor tinham um único propósito: possibilitar a exploração da Empresa Brasil. “No plano econômico, o Brasil é produto da implantação e da interação de quatro ordens de ação empresarial, com distintas funções, variadas formas de recrutamento da mão-de-obra e diferentes graus de rentabilidade. A principal delas, por sua alta eficácia operativa, foi a empresa escravista, dedicada seja à produção de açúcar, seja à mineração de ouro, ambas baseadas na força de trabalho importada da África. A segunda, também de grande êxito, foi a empresa comunitária jesuítica, fundada na mão-de-obra servil dos índios. Embora sucumbisse na competição com a primeiro, e nos conflitos com o sistema colonial, também alcançou notável importância e prosperidade. A terceira, de rentabilidade muito menor, inexpressiva como fonte de enriquecimento, mas de alcance social substancialmente maior, foi a multiplicidade de microempresas de produção de gêneros de subsistência e de criação de gado, baseada em diferentes formas de aliciamento de mão-de-obra, que iam de formas espúrias de parceria até a escravização do indígena, crua ou disfarçada.”



Um pouco mais adiante, o autor esclarece que sobre as três esferas empresariais “... pairava, dominadora, uma quarta, constituída pelo núcleo portuário de banqueiros, armadores e comerciantes de importação e exportação.” Ninguém deve estranhar a semelhança entre o Brasil deste início de século XXI e o descrito por Darcy Ribeiro. O setor bancário ocupa o topo da pirâmide econômica (auferindo da União 150 bilhões de juros ano), logo abaixo vem o agronegócio voltado para a exportação baseado no latifúndio produtivo, em que a produção mecanizada é complementada pelo trabalho braçal remunerado com salários baixíssimos. A grande maioria dos brasileiros de hoje é paupérrima, exatamente como foram seus antepassados.



A ocupação territorial posterior à invasão lusitana ocorreu em função da exploração econômica colonial. Até bem pouco tempo a urbanização era incipiente. “As cidades e vilas da rede colonial, correspondentes à civilização agrária, eram, essencialmente, centros de dominação colonial criados, muitas vezes, por ato expresso da Coroa para defesa da Costa, como Salvador, Rio de Janeiro, São Luis, Belém, Florianópolis e outras.” O interior foi ocupado lenta e paulatinamente em função da necessidade de obtenção de mão-de-obra indígena, da incorporação de novas áreas à exploração comercial e a busca de ouro, prata e pedras preciosas. Durante vários séculos o Brasil foi um país essencialmente agrário. A intensificação da urbanização ocorreu apenas no século XX e mesmo assim não acarretou uma substancial modificação da estrutura sócio-econômica.



“Em nossos dias, o principal problema brasileiro é atender essa imensa massa urbana que, não podendo ser exportada, como fez a Europa, deve ser reassentada aqui. Está se alcançando, afinal, a consciência de que não é mais possível deixar a população morrendo de fome e se trucidando na violência, nem a infância entregue ao vício e a delinqüência e à prostituição. O sentimento generalizado é de que precisamos tornar nossa sociedade responsável pelas crianças e anciãos. Isso só se alcançará através da garantia de pleno emprego, que supõe uma reestruturação agrária, porque ali é onde mais se pode multiplicar as oportunidades de trabalho.”



Estas palavras otimistas devem ter soado mal ao próprio autor. No parágrafo seguinte ele acrescenta que não “...há nenhum indício, porém, de que isso se alcance. A ordem social brasileira, fundada no latifúndio e no direito implícito de ter e manter a terra improdutiva, é tão fervorosamente defendido pela classe política e pelas instituições do governo que isso se torna impraticável.”



Darcy Ribeiro faz uma longa dissertação sobre a deterioração urbana e alerta. “Hoje em dia é o crime organizado como grande negócio que cumpre o encargo de viciar e satisfazer o vício de 1 milhão de drogados. Quem quiser acabar com o crime organizado, deve conter o subsídio ao vício dado pelos norte-americanos.”



Após dar detalhes sobre cada uma das classes sociais brasileiras o autor frisa que essa “...estrutura de classes engloba e organiza todo o povo, operando como um sistema autoperpetuante da ordem social vigente. Seu comando natural são as classes dominantes. Seus setores mais dinâmicos as classes intermediárias. Seu núcleo mais combativo, as classes urbanas. E seu componente majoritário são as classes oprimidas, só capazes de explosões catárticas ou de expressão indireta de sua revolta. Geralmente estão resignadas com seu destino, apesar da miserabilidade em que vivem, e por sua incapacidade de organizar-se e enfrentar os donos do poder.”



A distância entre as classes ricas e as pobres sempre foram e ainda são abissais no Brasil. “Essas diferenças sociais são remarcadas pela atitude de fria indiferença com que as classes dominantes olham para esse depósito de miseráveis, de onde retiram a força de trabalho de que necessitam.” Em seus estudos e pesquisas Darcy Ribeiro notou que a “...classe dominante bifurcou sua conduta em dois estilos contrapostos. Um, presidido pela mais viva cordialidade nas relações com seus pares; outro, remarcado pelo descaso no trato com os que lhe são socialmente inferiores.”



Em razão da mestiçagem “...mais do que preconceitos de raça ou de cor, têm os brasileiros arraigado preconceitos de classe. As enormes distâncias sociais que medeiam entre pobres e remediados, não apenas em função de suas posses mas também pelo seu grau de integração no estilo dos grupos privilegiados - como analfabetos ou letrados, como detentores de um saber vulgar transmitido oralmente ou de um saber moderno, como herdeiros da tradição folclórica ou do patrimônio cultural erudito, como descendentes de famílias bem situadas ou de origem humilde - opõe pobres e ricos muito mais do que negros e brancos.”



Quando chegam ao Brasil a partir do final do século XIX os imigrantes europeus encontram um país socialmente estruturado em todo território nacional. Sua única opção foi a integração cultural e, em razão dela, a paulatina miscigenação. “Não ocorre no Brasil, por conseguinte, nada parecido com o que sucedeu nos países rio-platenses, onde uma etnia original numericamente pequena foi submetida por massas de imigrantes que, representando quatro quintos do total, imprimiram uma fisionomia nova, caracteristicamente européia, à sociedade e à cultura nacional, transfigurando-os de povos novos em povos transplantados.”



Apesar de algum dinamismo econômico o Brasil não deslancha em razão da preservação de sua arcaica estrutura sócio-cultural. A oposição entre os interesses do patronato empresarial, de ontem e de hoje, e os interesses do povo brasileiro” freiam o pleno desenvolvimento do país. Segundo Darcy Ribeiro as classes dirigentes brasileiras são muito parecidas aos consulados romanos, pois ao longo de séculos tem agido “...como representantes locais de um poder externo, primeiro colonial, depois imperialista, a que servem como agentes devotados e de quem tiram sua força impositiva.” Em razão deste característica consular a elite econômico-financeira do Brasil não se sente responsável “... pelo destino da população que, a seus olhos, não constitui um povo, mas uma força de trabalho, ou melhor, uma fonte energética desgastável nas façanhas empresariais.”



O magnífico, profundo e bem escrito livro O POVO BRASILEIRO tem ainda dois capítulos. No quarto Darcy Ribeiro percorre as entranhas da história do país para esmiuçar as principais características e façanhas do Brasil crioulo, do Brasil caboclo, do Brasil sertanejo, do Brasil caipira e dos Brasis sulinos (gaúchos, matutos e gringos). No último usa toda sua eloqüência e maestria para escarafunchar os destinos do país. Mas como já dei ao leitor um panorama geral da obra fico por aqui. Para obter informações adicionais sobre Dacy Ribeiro e sua obra consulte http://www.fundar.org.br/ .

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Dúvida: Enfim (junto) ou em fim (separado)?




A palavra enfim é um advérbio de tempo que tem o mesmo sentido de "finalmente".

Exemplo:

Enfim nós vamos conseguir comprar a casa 
(ou seja: finalmente nós vamos conseguir comprar a casa)

Em fim (separado) é uma locução adverbial, ou seja: é a união de duas ou mais palavras que funcionam como um advérbio. Nesse caso, "em fim" tem o mesmo sentido de "no final de alguma coisa". Ou seja: sempre usamos "em fim de alguma coisa". 

Exemplo:

Aquele professor chato já deve se aposentar porque ele está em fim de carreira. 
(ou seja: no final da carreira dele).

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Teatro Amazonas - Óperas, glamour e história em Manaus


O público atravessa o largo São Sebastião para assistir ao festival anual de ópera da cidade. Depois de várias reformas, o prédio mantém-se bem conservado desde que foi tombado como patrimônio histórico, em 1966




Vista de longe, a cúpula do Teatro Amazonas destaca-se no centro de Manaus como símbolo de um tempo glorioso. Há 100 anos, francês e inglês eram idiomas correntes nas ruas da capital amazonense, na boca de homens de negócio que portavam no bolso notas de libras esterlinas. Senhoras esbanjavam elegância em roupas finas encomendadas a costureiros da Europa. Pairava no ar o espírito da modernidade, do crescimento econômico e da renascença cultural. Manaus, na época, era “a única cidade brasileira a mergulhar de corpo e alma na franca camaradagem dispendiosa da belle époque”, observa o escritor Márcio Souza em seu livro História da Amazônia.

Estou sentada no largo São Sebastião, na frente do belo teatro de paredes rosadas, sorvete na mão para amenizar o calor. Casais apaixonados beijam-se sem pudor e pessoas circulam animadas pela noite. Gosto de vir para cá desde que morei em Manaus, em 2007. Já assisti a inúmeros concertos, espetáculos de dança, shows de jazz. Espremi-me na multidão para contemplar o prédio iluminado na noite de Natal. Não importa quanto tempo eu fique longe da cidade: sempre que volto, corro a essa praça que povoa minha mente de lembranças da história local.
O teatro tem um total de 65 camarotes divididos em três pavimentos

A riqueza que fez de Manaus uma cidade cosmopolita e levou à construção do teatro foi gerada por uma árvore da floresta, a seringueira. No fim do século 19, a borracha, flexível e à prova d’água, causou furor em um mundo em plena expansão industrial, mas acostumado a lidar apenas com madeira e ferro. O látex, suco que emana da seringueira e é a matriz da borracha, respondia, em 1910, por um quarto de todas as exportações brasileiras, e saía da Amazônia em barcos a vapor direto para a Europa e os Estados Unidos, onde fábricas da Goodyear produziam de espartilho a mola para porta e zepelins.

A alta sociedade manauense apreciava a dramaturgia estrangeira, mas reclamava de seus palcos acanhados. O projeto do grande teatro ganhou corpo em 1893, com o governador Eduardo Ribeiro. “Ele queria usar a beleza para transforma a cidade”, diz Otoni Mesquita, professor da Universidade Federal do Amazonas. “E, naquele momento, aspirar melhores condições de vida implicava em reproduzir o modelo europeu.”

No porto no rio Negro, a cidade viu desembarcar materiais, arquitetos, construtores, pintores e escultores renomados vindos do Velho Mundo. Espelhos foram importados de Veneza; lajedos e escadarias de pedra, de Lisboa; a cúpula, em verde , amarelo e azul, possui 36 mil peças de escamas de cerâmica esmaltada e telhas vitrificadas na França. No começo de 1897, uma semana depois da inauguração, via-se no palco La Gioconda, de Ponchielli, apresentada pela Companhia Lírica Italiana. O Guarani, Fausto, Carmen e La Traviata foram outras famosas óperas assistidas a seguir no coração da selva. Doenças tropicais não impediam a vinda dos artistas, animados pelos ótimos cachês. (De acordo com o historiador Mário Ypiranga, em 1900, pelo menos seis deles morreram de febre amarela por não cuidar da saúde e se entregar a “excessos boêmios”.)

O teatro era um espaço social tão importante que mantinha o próprio jornal, A Platéa. Em 4 de maio de 1907, os textos mostravam indignação com o fato de que poucos cavalheiros sabiam vestir corretamente o smoking. A mesma edição revela que o chapéu das mulheres era uma questão polêmica: por menor que fosse, atrapalhava a vista de quem se sentava na poltrona de trás.

Entre outras regalias, as elites locais mandavam lavar roupa em Portugal e passavam férias em Nova York. Essa vida fácil iludiu os senhores da borracha. Para eles, a seringueira, ao contrário do ouro, uma riqueza finita da floresta, era uma planta que crescia em um ritmo de fartura eterna. Mas tanto esplendor começou a ruir diante da ambição de um único homem, o jovem inglês Henry Wickham, que convenceu o comandante de um navio a contrabandear 70 mil sementes de seringueira, a pedido do diretor do Jardim Botânico de Londres. Da Inglaterra, elas seguiram para a Malásia, onde milhares de árvores dispostas em plantações sistemáticas resultaram em produção intensa e regular – uma ideia simples e eficiente ignorada pelos barões de Manaus, acomodados na exploração extrativista.

Em 1914, o preço da borracha despencou no mercado internacional; dois anos depois, 200 firmas foram à falência em Manaus. E assim acabou o sonho de quem acendia charutos com notas de 1 000 réis. A cidade entrou em colapso, como descreve Márcio Souza: “Numa manhã calorenta, apareceram os quadros da falência: suicídios, navios lotados de arrivistas em fuga, famílias inteiras de mudança, palacetes abandonados”.
Com o tempo, o teatro passou a abrir as portas a espetáculos populares e tornou-se um espaço democrático. Voltou a ser um dos pontos mais visitados de Manaus. Francisco dos Santos, de 76 anos, emociona-se ao se lembrar dos momentos que passou ali ao lado da esposa, já falecida. “Frequento há mais de 60 anos. Tudo o que vejo hoje gostaria que ela visse também”, diz.
Inaugurado em 1896, o teatro fica no centro de Manaus, que foi fundada no fim do século 17 como um forte às margens do rio Negro. O salão, de 701 lugares e três pavimentos de camarotes, tem colunas de ferro francês, e suas pinturas retratam a fauna e a flora amazônicas. No teto está a maior e mais suntuosa delas: A Glorificação das Belas Artes na Amazônia, na qual musas descem das alturas sobre a floresta.

A admiração pelo teatro se estende a seus funcionários. Raimundo Nonato, de 76 anos, 37 deles na casa, agora cuida do palco, mas já foi bilheteiro, agente administrativo e segurança. Chamado de “pai” pelos colegas, ele é testemunha ocular dos muitos causos de assombração que povoam o prédio. Ele me guia por corredores secretos e confessa que, certa madrugada, viu uma garotinha, vestida toda de branco, passar por ele correndo. Se ficou com medo? “A pobrezinha devia estar perdida”, conta, sem espanto. “Eu a persegui para tentar ajudá-la, mas ela desapareceu em um ponto em que não havia saída.”

Entre a fantasia e a realidade, o teatro permanece como legado de uma era que trouxe a uma região inóspita e isolada o bom gosto das artes e da arquitetura. O tempo em que a floresta se vestiu de gala e esnobou elegância e erudição.


Fachada do Teatro Amazonas







domingo, 6 de setembro de 2015

Nossa História - BRASIL PÓS INDEPENDÊNCIA - A PRIMEIRA DÍVIDA EXTERNA BRASILEIRA


Na gravura inglesa de 1849, navio negreiro brasileiro é interceptado por embarcação inglesa no Atlântico 


Os primeiros países que reconheceram a independência do Brasil foram os Estados Unidos e o México. Portugal exigiu do Brasil o pagamento de 2 milhões de libras esterlinas para reconhecer a independência de sua ex-colônia. Sem este dinheiro, D. Pedro recorreu a um empréstimo da Inglaterra.

Embora tenha sido de grande valor, este fato histórico não provocou rupturas sociais no Brasil. O povo mais pobre se quer acompanhou ou entendeu o significado da independência. A estrutura agrária continuou a mesma, a escravidão se manteve e a distribuição de renda continuou desigual. A elite agrária, que deu suporte D. Pedro I, foi a camada que mais se beneficiou.

 Em 1826, a Inglaterra, em troca do empréstimo e do apoio prestados, conseguiu, junto a D. Pedro I, renovação dos tratados de 1810 por mais 15 anos. A baixa tributação sobre as mercadorias inglesas propiciou à coroa inglesa do domínio sobre o comércio brasileiro. Por outro lado, o baixo preço das mercadorias importadas inviabilizava o desenvolvimento da produção industrial local, além de provocar crescente déficit na balança comercial brasileira. Como consequência, a necessidade de frequentes empréstimos fazia aumentar cada vez mais a dívida e a dependência econômica do Brasil em relação à Inglaterra, a grande potência da época.  Ah, com a renovação deste tratado, Brasil se comprometeu a acabar com o tráfico de escravos em 4 anos, o que não aconteceu. pois a abolição dos escravos, sendo que o Brasil foi o último o país a reconhecer a libertação da escravatura se deu em 1888.... mas esta é outra história.

Nossa História: A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL - 7 de Setembro de 1822





A Independência do Brasil é um dos fatos históricos mais importantes de nosso país, pois marca o fim do domínio português e a conquista da autonomia política. Muitas tentativas anteriores ocorreram e muitas pessoas morreram na luta por este ideal. Podemos citar o caso mais conhecido: Tiradentes. Foi executado pela coroa portuguesa por defender a liberdade de nosso país, durante o processo da Inconfidência Mineira.

Dia do Fico

Em 9 de janeiro de 1822, D. Pedro I recebeu uma carta das cortes de Lisboa, exigindo seu retorno para Portugal. Há tempos os portugueses insistiam nesta ideia, pois pretendiam recolonizar o Brasil e a presença de D. Pedro impedia este ideal. Porém, D. Pedro respondeu negativamente aos chamados de Portugal e proclamou : "Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico."


O processo de independência

Após o Dia do Fico, D. Pedro tomou uma série de medidas que desagradaram a metrópole, pois preparavam caminho para a independência do Brasil. D. Pedro convocou uma Assembleia Constituinte, organizou a Marinha de Guerra, obrigou as tropas de Portugal a voltarem para o reino. Determinou também que nenhuma lei de Portugal seria colocada em vigor sem o " cumpra-se ", ou seja, sem a sua aprovação. Além disso, o futuro imperador do Brasil, conclamava o povo a lutar pela independência.

O príncipe fez uma rápida viagem à Minas Gerais e a São Paulo para acalmar setores da sociedade que estavam preocupados com os últimos acontecimento, pois acreditavam que tudo isto poderia ocasionar uma desestabilização social. Durante a viagem, D. Pedro recebeu uma nova carta de Portugal que anulava a Assembleia Constituinte e exigia a volta imediata dele para a metrópole.

Estas notícias chegaram as mãos de D. Pedro quando este estava em viagem de Santos para São Paulo. Próximo ao riacho do Ipiranga, levantou a espada e gritou : " Independência ou Morte !". Este fato ocorreu no dia 7 de setembro de 1822 e marcou a Independência do Brasil. No mês de dezembro de 1822, D. Pedro foi declarado imperador do Brasil.

fonte: SuaPesquisa.com




CORDEL INFANTIL SOBE A INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

“O Brasil fazia parte

do reinado português

Isso foi há muito tempo

imaginem só, vocês…



Portugal nos explorava

levava nossas riquezas

pra suprir necessidades

vindas lá da realeza



Nossa aristocracia

começou um movimento

pra livrar nosso Brasil

do imposto sofrimento



Nosso príncipe regente

o D. Pedro, tão famoso

quis romper com Portugal

tendo sido corajoso!



No riacho Ipiranga

deu um grito muito forte

levantando sua espada:

“Independência ou Morte!”



E então estava feito

o Brasil virou nação

e D. Pedro virou  rei

depois da coroação!



Foi em 7 de setembro

que D. Pedro declarou

o Brasil independente

e a história perdurou



Por isso comemoramos

exaltando o Brasil

viva o nosso país

nossa pátria mãe gentil!”


Mariane Bigio, setembro de 2012.




sexta-feira, 4 de setembro de 2015

JOEL RUFINO DOS SANTOS: ESCRITOR, PROFESSOR E HISTORIADOR BRASILEIRO



Joel Rufino dos Santos (Rio de Janeiro, 1941 - Rio de Janeiro, 4 de setembro de 2015) filho de pernambucanos, foi um historiador, professor e escritor brasileiro , tendo sido um dos nomes de referência sobre o estudo da cultura africana no país.

Nascido no bairro de Cascadura, cresceu apreciando a leitura de histórias em quadrinhos. Desde criança se encantava com as histórias que a sua avó Maria lhe contava e as passagens da Bíblia que ouvia. Junto com os gibis, que lia escondido de sua mãe, esse foi o tripé da paixão literária do futuro fazedor de histórias. Seu pai também teve um papel nessa formação, presentando-o com livros que Joel guardava em um caixote.

Em suas próprias palavras:

"Como tantos escritores eu tive alguém, na infância, que me viciou em histórias. Lia gibis escondido, o que, possivelmente, ampliou o seu fascínio. E a Bíblia, ao invés de tomá-la como livro sagrado, tomei-a como livro maravilhoso de histórias, e como manual de estilo. Tudo se passou em Cascadura e Tomás Coelho, subúrbios antigos do Rio, onde se pode ser feliz ou infeliz como em qualquer lugar.".
Ainda em suas palavras, sobre as obras importantes na sua formação:

"Filho nativo, de Richard Wright; Casa Grande & senzala, de Gilberto Freire; O Ateneu, de Raul Pompéia; Terras do Sem-Fim, de Jorge Amado; O escravo, de Hall Caine; O tempo e o vento, de Érico Veríssimo; o Manifesto comunista, de Marx e Engels… A lista é comprida. O decisivo não é o livro em si, mas a altura da vida em que você o lê. Esses foram os do começo da minha juventude."
Ainda jovem, mudou-se com a família para o bairro da Glória e pouco depois entrou para o curso de História da antiga Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil, onde começou a sua carreira de professor, dando aula no cursinho pré-vestibular do grêmio da Faculdade.
Convidado pelo historiador Nelson Werneck Sodré  para ser seu assistente no Instituto Superior de Estudos Brasileiros ( ISEB ), lá conviveu com grandes pensadores, e foi um dos co-autores da História Nova do Brasil, um marco da historiografia brasileira.
Com o golpe de 1964, Joel, por sua militância política, precisou sair do Brasil, asilando-se na Bolívia, depois no Chile. Com o exílio, não só interrompeu a sua vida acadêmica, como também não participou do nascimento do seu primeiro filho, que se chama Nelson em homenagem ao seu mestre e amigo.

Voltando ao Brasil, viveu semi-clandestino, e foi preso 3 vezes. Na última , cumpriu pena no Presídio do Hipódromo ( 1972-1974 ). As cartas, muitas, que escreveu para Nelson, foram, mais tarde, publicadas no livro “Quando eu voltei, tive uma surpresa”, considerado o melhor do ano(2000 ) para jovens leitores.

Com a aprovação da Lei da Anistia, foi re-integrado ao Ministério da Educação e convidado a dar aulas na graduação da Faculdade de Letras e posteriormente na pós-graduação da Escola de Comunicação, UFRJ. Obteve, da Universidade, os títulos de “ Notório Saber e Alta Qualificação em História” e “ Doutor em Comunicação e Cultura”.  Recebeu também,  do Ministério da Cultura, a comenda da Ordem do Rio Branco, por seu trabalho pela cultura brasileira.
Doutor em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde lecionou Literatura, como escritor tem extensa obra publicada: livros infantis, didáticos, paradidáticos e outros. Trabalhou como colaborador nas minisséries Abolição, de Walter Avancini, transmitida pela TV Globo (22 a 25 de novembro de 1988) e República (de 14 a 17 de novembro de 1989). Além disso, já ganhou diversas vezes o Prêmio Jabuti de Literatura, o mais importante no país.


Como escritor, Joel é plural. Escreveu inúmeros livros para crianças, jovens e adultos. Ficção e não ficção. Ensaios, artigos , participação em coletâneas. Recebeu, como autor de livros para crianças e jovens, vários prêmios, tendo sido finalista do Prêmio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infanto-juvenil.

Joel  é casado com Teresa Garbayo dos Santos, autora do livro “Conversando com casais grávidos”. Nelson e Juliana são os seus filhos. Eduardo, Raphael, Isabel e Victoria, os netos queridos.

Joel Rufino dos Santos faleceu em 4 de Setembro de 2015, após complicações causadas por uma cirurgia cardíaca.

Quer saber mais sobre o Joel ? Ele também foi :



       Pesquisador do Instituto de Estudos da Religião (ISER)

       Diretor do Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro.

 Presidente da Fundação Cultural Palmares (MINC).

 Membro do Conselho   da Secretaria estadual de Cultura –

 Superintendente de Cultura da Secretaria estadual de Cultura

 Subsecretário da Secretaria estadual de Justiça e Direitos Humanos.

 Diretor de Comunicação Social do Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional do  Trabalho

             Representante do Brasil no Comitê Científico Internacional da UNESCO para o

             Programa “ Rota dos Escravos “

             Consultor brasileiro do Programa Escolas Associadas, da UNESCO.

             Membro da Comissão de Comunicação Institucional do Tribunal de Justiça.

Saiba mais: http://www.joelrufinodossantos.com.br/paginas/index.asp