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| RUI BARBOSA |
"A história é vital para a formação da cidadania porque nos mostra que para compreender o que está acontecendo no presente é preciso entender quais foram os caminhos percorridos pela sociedade brasileira; senão parece que tudo começou quando tomamos consciência das nossas vidas." Bóris Fausto - historiador, escritor e cientista político brasileiro.
O LIVRO
quarta-feira, 7 de maio de 2014
terça-feira, 22 de abril de 2014
Nossa Literatura - Poema: Canção do Exílio - Gonçalves Dias
O CANTO DO SABIÁ LARANJEIRA
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| Sabiá-Laranjeira |
O CANTO DO SABIÁ LARANJEIRA - O sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris) é uma ave comum na América do Sul e o mais conhecido de todos os sabiás, identificado pela cor de ferrugem do ventre e por seu canto melodioso durante o período reprodutivo.
Canção do Exílio
Gonçalves Dias![]() |
| obra de TARSILA DO AMARAL |
"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."
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| Gonçalves Dias |
Antônio Gonçalves Dias (Caxias, 10 de agosto de 1823 —
Guimarães , 3 de novembro de 1864) foi um poeta, advogado, jornalista,
etnógrafo e teatrólogo brasileiro.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Nossa História - "Você sabia que....?" - MARCO NA HISTÓRIA - 7 de Abril de 1831
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| D.Pedro I entregando o ato de renúncia ao Major Frias |
No dia 7 de Abril de 1831, após a NOITE DAS GARRAFADAS ocorrida em 13 de março, e críticas a seu autoritarismo, dom Pedro I abdica do trono brasileiro em favor de seu filho Pedro de Alcântara D.Pedro II, que tinha apenas 5 anos de idade. O ato marcou o fim do Primeiro Reinado e o início do período regencial, no Brasil, e uma série de disputas em Portugal e oferecimentos dos tronos da Grécia e de Espanha, na Europa.
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| Reprodução da Carta de Abdicação |
Boa Vista, 7 de abril
de mil oitocentos e trinta e um, décimo da Independência e do Império."
Pedro
Pedro
Nossa História - LIVRO "História do Brasil" Frei Vicente do Salvador (um fragmento)
O livro "HISTÓRIA DO BRASIL'' de Frei Vicente do Salvador, considerado o primeiro historiador brasileiro é uma obra dividida em cinco livros, a qual narra o modus vivendi na Colônia, narrando episódios conhecidos de seus primeiros governadores, bem como anedotas, o jeito de falar e de viver nas terras ainda tão novas.
A seguir, um fragmento de sua narrativa do Livro Primeiro, capítulo quarto, sobre o clima do Brasil:
"Do clima e temperamento do Brasil
Notas: * O que é ZONA TÓRRIDA
Fontes Bibliográficas - História do Brasil, Livro Primeiro, Bahia dezembro de 1627, Frei Vicente do Salvador; Wikipédia
A seguir, um fragmento de sua narrativa do Livro Primeiro, capítulo quarto, sobre o clima do Brasil:
Opinião foi de
Aristóteles, e de outros filósofos antigos de que a zona tórrida* era inabitável
porque como o sol passa por ela cada ano duas vezes para os trópicos,
parecia-lhes, que com tanto calor não poderia alguém viver, e confirmavam sua
opinião, porque o sol aquenta com os seus raios uniformiter diformiter, mais ao
perto que ao longe, e por essa causa no inverno aquenta pouco, porque anda
distante, sed sic est, que na zona temperada onde nunca entra, só pelo acesso que
faz no verão enfermam, e morrem os homens de calor, logo a fortiori em a zona
tórrida donde nunca sai, há de ser mortífero.
Porém a experiência tem
já mostrado, que a zona tórrida é habitável, e que em algumas partes dela vivem
os homens com mais saúde, que em toda a zona temperada, principalmente no Brasil,
onde nunca há peste, nem outras enfermidades comuns, senão bexigas de tempos em
tempos, de que adoecem os negros, e os naturais da terra, e isto só uma vez,
sem a segundar em os que já as tiveram, e se alguns adoecem de enfermidades
particulares, é mais por suas desordens, que por malícia da terra. A razão
disto é porque ainda que a terra do Brasil seja cálida por estar a maior dela na
zona tórrida, contudo é juntamente muito úmida, como se prova do orvalhar tanto
de noite, que nem depois de sair o sol a quatro horas se enxugam as ervas; e se
alguém dorme ao sereno, se levanta pela manhã tão molhado dele como se lhe
houvera chovido.
Daqui vem também não poder o sal e o açúcar, por mais que o
sequem, e resguardem, conservar-se sem umedecer-se, e o ferro e aço de uma
espada ou navalha, por mais limpos, esacalado que sejam, se enche logo de
ferrugem, e esta umidade é causa de que o calor desta terra se tempere, e faz
este clima de boa complexão, outra é pelos ventos leste e nordeste, que ventam
do mar todo o verão do meio-dia pouco mais ou menos, até a meia-noite, e lavam
e refrescam toda a terra.
A última causa é pela igualdade dos dias e das noites, porque
(como dizem os filósofos) a extensão faz intenção; donde se um pusesse ou
tivesse a mão devagar sobre um fogo fraco deestopas ou de palhas se queimaria
mais, que se depressa a passasse por um fogo forte, e por isto em Portugal,
posto que o calor é mais remisso se sente mais, porque dura mais, e são maiores
os dias no verão, que as noites, mas no Brasil, ainda que mais intenso, dura
menos, e não aquenta tanto que o frio da noite o não atalhe, que não chegue de
um dia a outro. Donde se responde ao argumento de Aristóteles de que o sol
aquenta mais na zona tórrida, que na temperada, intensiva, mas não extensiva, e
que esta intenção de calor se modera com os ventos frescos do mar, e umidade da
terra, junto com a frescura do arvoredo, de que toda está coberta; de tal sorte
que os que a habitam vivem nela alegremente. O em que se verifica a opinião dos
filósofos é nas coisas mortas, porque estando nas outras terras a carne três ou
quatro dias sã, e incorrupta, e da mesma maneira o pescado, nesta não está 24
horas, que se não dane e corrompa."
Nota: não foi feito nenhuma correção ortográfica no texto, sendo que ele foi mantido na sua forma original, respeitando assim a ortografia da época.
Nota: não foi feito nenhuma correção ortográfica no texto, sendo que ele foi mantido na sua forma original, respeitando assim a ortografia da época.
Notas: * O que é ZONA TÓRRIDA
A zona tórrida compreende a área da terra entre o Trópico de
Câncer e o Trópico de Capricórnio. Geograficamente, a zona tórrida é definida
por 23,5 graus de latitude norte e 23,5 graus de latitude sul. A zona tropical
é outro nome dado à zona tórrida. Essa zona climática é uma das cinco zonas
originais usadas para definir o clima e as zonas de crescimento da terra. A
delimitação desta zona já foi modificada para contribuir com a multiplicidade
de diferentes biomas localizados dentro desta região tradicionalmente tropical
O termo zona tórrida foi usado pela primeira vez em torno de
320 a.C. pelo cientista grego Aristóteles para definir a área de terra mais
próxima do equador. Aristóteles presumia que essa área fosse muito quente para
a vida humana, já que os raios solares tangiam essa região diretamente de cima.
Ele também sustentou a ideia de uma zona temperada, com um clima agradável e
uma zona fria perto do Círculo Polar Ártico. De acordo com a enciclopédia
Encarta, outro filósofo grego chamado Parmênides também dividiu estas zonas em
cinco regiões distintas com a zona tórrida como a base a partir de 23 graus de
latitude norte e sul. As zonas temperadas norte e sul foram adicionadas como as
zonas frígidas norte e sul para criar um sistema climático de cinco zonas,
sistema esse que permaneceu em uso até o sistema de mapeamento de clima
padronizado de Koppen ser concebido e instituído nos séculos 19 e 20
Quando se pensa em trópicos, é muito comum a ideia de chuvas
abundantes, plantas e árvores exuberantes e vida animal variada. A zona tórrida
contém todos esses recursos e um evento importante que não ocorre nas outras
zonas climáticas: o sol está diretamente acima pelo menos uma vez ao ano na
zona tórrida. A temperatura nessas zonas tropicais é quente e úmida, sendo que
a umidade está presente durante todo o ano. No entanto, a zona tórrida engloba
uma variedade de características topográficas que afetam o clima.
Considerando-se que muitos desertos e montanhas estão dentro das latitudes que
definem a zona tórrida. As florestas tropicais são o que há de mais típico
nesta zona, mas até montanhas cobertas de neve podem ser encontradas. A
Cordilheira dos Andes, no Chile e na Argentina está dentro da zona tropical e
contêm neve e tundra alpina. A Austrália e partes da África também estão na
zona tórrida. Ambos os continentes têm grandes áreas de deserto com condições
extremamente secas durante todo o ano. A zona tórrida contém áreas de chuvas
abundantes e calor na superfície da Terra, Envolvendo a linha do Equador
formam-se muitas nuvens que abastecem o clima da zona tórrida. De acordo com o
Serviço Nacional de Meteorologia, esta zona de convergência intertropical pode
trazer tempestades diárias para a zona tórrida e controla seu clima. Os ventos
alísios do norte se movendo em uma direção sudoeste convergem com os ventos do
hemisfério sul, vindos da direção noroeste para formar esse aglomerado de
nuvens.
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| as florestas tropicais são encontradas na zona tórrida da terra |
Nossa História - Frei Vicente do Salvador - O primeiro historiador brasileiro
Frei Vicente do Salvador, nascido Vicente Rodrigues Palha (Matuim, Salvador, 1564 - Salvador, c.1637) foi um religioso franciscano, conhecido como o pai da historiografia brasileira, ou o Heródoto brasileiro. Estudou Direito na Universidade de Coimbra, onde graduou-se em 1587. Regressando á sua terra natal ingressou na Ordem Franciscana, quando adotou o nome de Vicente do Salvador. Desempenhou diversos cargos na sua Ordem e lecionou filosofia em Olinda (PE). Autor de uma "História do Brasil" de alto valor, publicada pela primeira vez pelo historiador, Capistrano de Abreu, em 1886-1887, no "Diário Oficial da Nação". As Edições Melhoramentos a vêm editando, sendo que a quinta tiragem apareceu por ocasião do 75.° aniversário da editora, em 1965, com o Prefácio de Capistrano de Abreu e Apresentação de Aureliano Leite.
Sobre Frei Vicente e sua obra, escreveu o antropólogo e escritor brasileiro Darcy Ribeiro Darcy Ribeiro (1922—1997), em seu livro O Povo Brasileiro:
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Nossa História - Nossa Literatura: JOSÉ DE ANCHIETA - O Apóstolo do Brasil
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| Pe. José de Anchieta |
A história do Brasil dos primeiros tempos está, inegavelmente, muito ligada aos missionários, entre os quais, Pe. José de Anchieta. Espanhol, nascido em Tenerife, nas Ilhas Canárias em 19 de março de 1534. Entrou na Companhia de Jesus em 1551 e enviado para o Brasil em 1553. Tinha sérios problemas de saúde, sobretudo na coluna, que o fazia levemente corcunda e o impedia de cavalgar nas intermináveis peregrinações pelas terras brasileiras. Contudo, esses sofrimentos não o desanimaram em sua missão.
Anchieta, mais que outros, marcou os aspectos religiosos, literários e políticos do início do Brasil. Ajudou a fundar o colégio de Piratininga, embrião da cidade de São Paulo, e a casa de misericórdia em Niterói. Iniciou aldeamentos que se tornaram cidades, como a atual Anchieta, Guarapari e São Mateus, no Espírito Santo. Foi professor, catequizador, pacificador dos índios, estudou e aprendeu em poucos meses a língua tupi, organizando a gramática e um dicionário; foi mestre em várias artes e profissões ensinadas aos índios.Teve um papel fundamental na pacificação dos tamoios, dos quais ficou prisioneiro voluntário por uma longa temporada, durante a qual escreveu o famoso poema a Nossa Senhora, redigido primeiramente nas areias de Itanhaém, em São Paulo. Incentivava os portugueses a tratarem os índios não como conquistados e escravos, mas a integrá-los, incentivando até os casamentos entre os dois povos. Sua área de trabalho se estendia de Pernambuco até São Paulo. Seus últimos anos transcorreram em Vila Velha, ES, onde faleceu em 1597, com 63 anos.
Se, como personagem do seu tempo pode ter tido algumas ações discutíveis numa mentalidade moderna, não se pode negar que José de Anchieta era de uma santidade heroica que se revelava através de suas cartas e de seus atos. Em primeiro lugar, o amor aos índios, num tempo em que nas universidades europeias se discutia se índios e negros teriam uma alma. Ele os tratava como irmãos em Cristo, com todas as conseqüências que essa definição podia trazer concretamente; defendia-os dos vexames dos conquistadores, curava os doentes, criou escolas para órfãos, merecendo, pela sua ação pastoral e social, o título de "Apóstolos dos Índios" e exemplo celebrado de educador.
Sua espiritualidade revela uma alma pura e simples, totalmente devotada ao amor ao próximo, embasado no amor a Cristo. Escrevia, ainda seminarista, durante sua viagem para o Brasil: "Senhor, que meu coração seja grande de zelo missionário. Grande, tais como estas vagas revoltas que balançam o nosso barco". Demonstrava claramente seu amor aos índios e aos irmãos menos afortunados, colocando-se a serviço deles. Hoje, diríamos que favoreceu a promoção humana. Toda a sua odisseia de missionário, de sofredor e pacificador, encontra-se em versos entremeados aos louvores à Virgem Maria, compostos quando prisioneiro voluntário entre os tamoios e correndo sérios perigos.
| Monumento localizado na Biquinha em São Vicente, São Paulo Anchieta escreve seus versos na areia |
te prometi em voto,
vendo-me cercado de feros inimigos.
Enquanto a minha presença
amansava os Tamoios conjurados
e eu os levava com jeito à suspirada paz,
tua graça me acolheu
em teu materno colo,
e teu poder me protegeu intactos, corpo e alma.
À inspiração do céu,
eu, muitas vezes desejei penar,
cruelmente expirar em duros ferros.
Mas sofreram merecida repulsa os meus desejos
só a heróis compete tanta glória".
Qualquer que tenha sido seu objetivo, foi um exemplo significativo, no século XVI, da realização de uma expressão literária que correspondesse às novas condições do homem na paisagem americana. Considerem-se, ainda, a sua poesia de inspiração religiosa e a poesia misto de exaltação da terra e de louvor da obra colonizadora do português como exemplificam os dois poemas escritos em latim, um sobre a Virgem Maria, outro sobre a ação do governador Mem de Sá.
| Pateo do Collegio preserva história da fundação de São Paulo |
No dia 25 de janeiro de 1554, o padre José de Anchieta realizou a primeira missa na vila de São Paulo de Piratininga, como era conhecida a atual capital paulista. A cerimônia aconteceu no Pateo do Collegio, que inicialmente não passava de uma cabana onde moravam 13 jesuítas
| Assista o filme ANCHIETA, JOSÉ DO BRASIL |
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