O LIVRO

O LIVRO

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Nossa História - ESCRAVIDÃO - O PESO DO TRABALHO




Nossa História - Cálculos de Risco - ESCRAVIDÃO: Um negócio de risco, mas atraente e viável.

Para garantir o lucro da operação, traficantes de escravos contabilizavam custos e tentavam diminuir perdas, principalmente mortes




Fonte: Arquivo Histórico Ultramarino, Angola, caixa 178, documento 21
O tráfico de escravos não era a atividade mais lucrativa do mundo. Esse comércio demandava altos investimentos e envolvia riscos consideráveis. Nem todos o viam como uma atividade moralmente aceitável e havia outras áreas que podiam gerar lucros maiores, como o comércio de especiarias, tecidos, metais e pedras preciosas. Ainda assim, valia a pena: durante mais de três séculos o tráfico manteve-se como um negócio atraente e viável.
Desde meados do século XV, alguns africanos escravizados já vinham sendo transportados para a Europa. Mas o tráfico se transformou em negócio lucrativo somente quando os europeus espalharam a cana-de-açúcar nas Américas e nas ilhas do Atlântico – como Madeira e São Tomé e Príncipe – no final daquele século e no início do seguinte. O açúcar era considerado uma mercadoria de luxo, e o alto preço pelo qual era vendido cobria os custos da sua produção.
A produção do açúcar facilitava também a colonização de territórios onde os europeus demoraram a encontrar metais ou pedras preciosas. Oriunda das regiões tropicais do sudeste asiático, a cana-de-açúcar adaptou-se bem ao clima das ilhas atlânticas e das Américas, e serviu como principal artigo de exploração econômica em várias colônias, inclusive no Brasil.
Inicialmente, os europeus utilizaram mão de obra indígena para produzir açúcar, mas esbarraram na alta taxa de mortalidade entre os nativos, decorrente de doenças trazidas pelos próprios europeus. A solução foi recorrer ao trabalho escravo africano. A sociedade colonial passou a ver aquela mão de obra como superior à indígena, pois os africanos vinham de sociedades agricultoras, já estavam familiarizados com um modo de vida sedentário e tinham conhecimentos técnicos facilmente adaptáveis à produção de açúcar. O tráfico de escravos africanos também beneficiava os governos europeus pela renda que gerava com os impostos alfandegários.
Registros do Engenho Sergipe, na Bahia, demonstram que a transição da mão de obra indígena para a africana correu de modo relativamente rápido. Em 1572, cerca de 7% da população escrava daquele engenho era africana; em 1591, a proporção aumentou para 37% e em 1638 toda a população escrava do engenho provinha da África.
A utilização de escravizados africanos não ficou restrita à produção de açúcar. Das colônias inglesas na América do Norte às colônias espanholas no Rio da Prata, eles foram empregados em uma série de atividades, como o cultivo de algodão, arroz, café, índigo, tabaco, a extração de diamantes, ouro, prata, a indústria metalúrgica e a do óleo de baleia, além de comércio, pecuária e do setor de serviços em geral.
A extensa presença de escravos de origem africana nas sociedades do Novo Mundo chamava a atenção dos viajantes estrangeiros. John Luccock, um comerciante inglês que residiu no Brasil entre 1808 e 1818, notou que “parte tão considerável da população das colônias sul-americanas consiste de escravos, que cada novo distrito parece exigir alguma observação sobre o seu número, ocupação e tratamento”.
Para suprir as colônias com tantos escravos, e obter o máximo de lucro possível, os traficantes tinham que organizar as suas operações meticulosamente. O cálculo do valor final da venda de um escravo adulto, por exemplo, precisava levar em conta um detalhado orçamento dos custos da viagem negreira. Um desses documentos, produzido por volta de 1790, revela os cálculos de negociantes portugueses que pretendiam suprir a região Norte do Brasil com mão de obra escrava angolana, após a extinção do monopólio negreiro da Companhia Geral do Grão Pará e Maranhão (1778).
O preço dos escravos na África era a maior despesa da operação. Gastos com comissões, fretes e impostos representavam quase um terço do valor final de um escravo. Perdas com mortes, inclusive na marcha entre o interior e a costa africana, fugas e doenças aumentavam o valor final de um escravo em pouco mais de 20%. Custos com o sustento e outras despesas refletiam apenas em cerca de 10% da transação.
Não entram nesse cálculo os custos com o seguro que muitos traficantes, especialmente britânicos e franceses, contratavam para protegerem as suas “mercadorias”. Muito menos a perda das famílias africanas cujos membros foram subtraídos de seu seio irreparavelmente. Ainda assim, os autores do orçamento julgavam que o que “arrasta [os comerciantes] a semelhante negócio, é só a lisonjeira expectativa de obter no transporte dos escravos a fortuna rara de ter menos mortandades, tanto em terra como no mar”.
A lucratividade do tráfico residia na quantidade de escravos transportados em relação ao diferencial do seu preço nos momentos da compra e da venda. Não havia muito o que fazer para controlar o preço dos escravos na África e nas Américas. Já a taxa de mortalidade variava de acordo com a saúde dos escravos, a sua alimentação e a duração da viagem. Se os traficantes conseguissem ludibriar a morte, poderiam não só cobrir o gasto estimado com as perdas em trânsito, mas também obter maior margem de lucro sobre os seus investimentos.
Pesquisadores, utilizando métodos sofisticados e um grande leque de fontes, demonstram que a taxa de lucratividade média do tráfico variava de acordo com a demanda e a rota. Em geral, os lucros eram maiores em rotas curtas e durante períodos de expansão do tráfico. Por exemplo, a taxa de lucratividade média no tráfico para o Rio de Janeiro, entre 1810 e 1820, teria sido de cerca de 19%. No comércio britânico, entre 1761 e 1807, ela variou entre 8% e 13%. No tráfico francês, entre 1713 e 1792, o lucro médio era de 10%, enquanto no holandês, entre 1740 e 1795, era de apenas 3%.

Essas taxas de lucro são maiores do que as de muitos fundos de investimentos atuais, mas não era sempre que elas vingavam. De todo modo, à medida que a demanda por mão de obra africana crescia, o tráfico ia se consolidando como investimento atraente. E a “lisonjeira expectativa” de ludibriar a morte, longe de se inspirar em questões humanitárias, movia a mais elementar ganância por lucros cada vez maiores.


fonte: artigo publicado pela "Revista de História da Biblioteca Nacional", por Daniel B. Domingues da Silva, que é professor da Universidade de Missouri, Estados Unidos, e autor de "The Atlantic Slave Trade from Angola: A Port-by-Port Estimate of Slaves Embarked, 1701-1867". International Journal of African Historical Studies, vol.46, no. 1, 2013.  

Nossa História - O PORQUE DA ESCRAVIDÃO AFRICANA NO BRASIL


MERCADO DE ESCRAVOS
Na pintura Mercado na Rua do Valongo, o pintor francês Jean
Baptiste Debret (1768-1848) dá a sua versão de como era o local,
no Rio de Janeiro, onde africanos recém-chegados de seu
continente eram colocados à venda como escravos  


Embora o tema escravidão seja estudada na escola, e o material didático seja rico em detalhes o tema não é explorado de maneira que responda a importante questão: por que a mão de obra escrava usada no Brasil colonial foi formada essencialmente por negros africanos,
em vez dos índios nativos?
Essa maneira de ensinar a história – sem explicitar as razões para a escravização do negro -- contribui para difundir a ideia errônea de que a África era um continente em que se vivia nessa condição.
A palavra slave (‘escravo’, em inglês) vem de eslavo, evidenciando o fato pouco comentado de que na Baixa Idade Média a maioria dos cativos era de origem eslava”, A Europa foi um manancial de
escravos para os reinos do Oriente Médio, mas o ensino da História, por ser eurocêntrico, não mostra essa questão. O regime escravista se inseria no contexto do mercantilismo – o primeiro momento do capitalismo. A produção da colônia não era destinada à subsistência, e sim à comercialização – o objetivo era o lucro. Para explorar o máximo o sistema colonial, as metrópoles européias reinventaram a escravidão, a partir do século XV. E fizeram isso de uma forma eficiente para seu enriquecimento. Além de fornecer trabalhadores para as colônias, criaram um fluxo de comércio muito vantajoso: compravam barato escravos africanos e os vendiam caro para os donos de plantações na América. Para ter muita oferta de escravos, as metrópoles incentivavam as tribos africanas a guerrearem entre si entre tribos rivais e escravizarem umas às outras para depois negociarem com os vendedores a troca dos derrotados por panos, alimentos, cavalos e muniçõese e assim os mesmos eram levados à América.
Assim, desta forma a metrópole povoava as terras descobertas e desejava extrair delas a maior quantidade possível de riquezas. “O português vem ao Novo Mundo como empresário. Outros trabalharão por ele”, afirma o sociólogo Rogério Baptistini, professor na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), citando o pensador Caio Prado Júnior (1907-1990). No início da colonização, os portugueses buscaram escravizar os índios de forma sistemática. Mas a iniciativa apresentou uma série de inconvenientes. “Eles não estavam acostumados ao trabalho regular e intenso. Caíam incapacitados com as doenças trazidas pelos europeus e, sempre que possível, se embrenhavam pelo interior do território, que lhes era familiar”, diz Bap-
tistini. Os relatos apontam que, por volta de 1562, duas violentas epidemias mataram por volta de 60 mil índios. Ao mesmo tempo que surgiam as dificuldades com a escravização dos indígenas, os portugueses já estavam envolvidos com o comércio de escravos em um
lucrativo negócio do outro lado do Atlântico. Essa forma de organização do trabalho era adotada nas ilhas africanas dominadas por Portugal e Espanha, como Cabo Verde, Açores e Canárias, que praticavam
o sistema de plantation.
As origens dessa exploração, por sua vez, remontam ao século 7, quando a escravidão doméstica, de pequena escala, passou a conviver com um comércio mais intenso após a ocupação do norte
da África pelos árabes. Centenas de negros eram trocados e vendidos em sua própria terra ou no mundo árabe. Portugal encontrou esse comércio relativamente organizado, começou a se beneficiar dele e depois o trouxe para o Brasil. Assim, a coroa lucrava duplamente: com o comércio de escravos e com o uso dessa mão de obra na colônia. E importante ressaltar que a Igreja não se opôs à escravização do negro, algumas ordens religiosas, inclusive, eram grandes proprietárias
de escravos. A “missão evangelizadora” também era uma justificativa para escravizar os africanos “infiéis”. Além disso, o negro era considerado um ser inferior, uma coisa, não uma pessoa, e por isso não tinha nenhum direito. Dessa forma, gradativamente os negros substituíram os nativos indígenas no trabalho escravo na colônia.
Estima-se que 4 milhões de africanos tenham desembarcado no Brasil entre 1550 e 1850, representando quase 70% da população, trazidos à força de seu continente, de regiões onde hoje estão Angola, Benin, Congo, Costa do Marfim, Guiné, Mali e Moçambique.


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Nossa Literatura - A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA EM VERSOS NA " LITERATURA DE CORDEL"




 
Dos gêneros literários dos que mais aprecio é a Literatura de Cordel, para mim os autores de cordéis, os Cordelistas, são incrivelmente criativos, simplistas e conhecedores de fatos na composição dos versos. Sou a maior fã deste estilo. O difícil é encontrar os folhetos de cordéis fora do Nordeste, eu compro em uma banca da Praça da Sé, no centro de São Paulo. Mas o que é a Literatura de Cordel?

Literatura de cordel também conhecida no Brasil como folheto, é um gênero literário popular escrito frequentemente na forma rimada, originado em relatos orais e depois impresso em folhetos. Remonta ao século XVI, quando o Renascimento popularizou a impressão de relatos orais, e mantém-se uma forma literária popular no Brasil. O nome tem origem na forma como tradicionalmente os folhetos eram expostos para venda, pendurados em cordas, cordéis ou barbantes em Portugal. No Nordeste do Brasil o nome foi herdado, mas a tradição do barbante não se perpetuou: o folheto brasileiro pode ou não estar exposto em barbantes. Alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, também usadas nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola, como também fazem leituras ou declamações muito empolgadas e animadas para conquistar os possíveis compradores. Para reunir os expoentes deste gênero literário típico do Brasil, foi fundada em 1988 a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, com sede no Rio de Janeiro.
fonte: Wikipedia

Aproveitando esta data de 15 de novembro, aí vãos os versos de autoria do cordelista José Rodrigues de Oliveira celebrando a Proclamação da República, assim ele se apresenta:

Sou poeta popular
já cantei versos na feira,
quero aqui me apresentar
na minha forma brejeira,
me chamo José Rodrigues,
sou Rodrigues de Oliveira.


PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA
José Rodrigues de Oliveira

 Foi proclamada a república
Tomou conta um militar
A oposição forçou
A ele renunciar
Um outro que era vice
Pôde a coisa contornar

Dois presidentes fardados
Depois vem cinco civis
Derrotando Rui Barbosa
Sitiou como bem quis
Ao lado de Venceslau
Fez um governo infeliz.

Hermes Rodrigues da Fonseca
De Deodoro era primo
Em mil novecentos e dez
Seguro como um felino
Recebeu dos seus amigos
O Governo, seu destino.

Iniciou seu trabalho
Firmado na oligarquia
Pois a pressão militar
Mais condições dar-lhe-ia
Dos políticos seus amigos
Influências recebia.

Foi presidente eleito
Pois o povo lhe apoiou
Arranhou a magna carta
Porém não foi Ditador
Em Pernambuco interveio
Alagoas e Salvador.

Ao recolher as Tabocas
Da festa, da posse sua
Os marinheiros da esquadra
Mostrando a verdade nua
Fizeram motins pra ter
Direito de andar na rua.

Não foi isso ao pé da letra
Pé da letra sem rivais
Pretendiam os bons marujos
Sendo também bom(ns) rapaz(es)
Abolir o regimento
Os castigos corporais.

Na marinha se usava
Naqueles tempos de então
A palmatória, o chicote
O Rebengue, o Cinturão
Surgiu o tal João de Cândido
E com ele a abolição.

Deixe pra lá esse povo
Que já foi anistiado
Segue os passos do governo
Já não bem acompanhado
Quem brilha como cadente
É o Pinheiro Machado.

Não houve alteração
Na pasta de exterior
O Barão de Rio Branco
Mostrou bem seu valor
Por isto com o Marechal
No posto continuou.

No ministério da guerra
Dantas Barreto ficou
E Rivadavia Correia
Justiça e Interior
Pois sendo do Rio Grande
Ao conterrâneo empolgou.

Da sua terra natal
Que com Borges Medeiros
Recebia firme apoio
De todo bom brasileiro
Uso da oligarquia
Do tal Machado Pinheiro.

Mestre Armando deu razão
Ao colega Zé Maria
Que afirmou que a violência
Foi tida na primazia
O povo deu o apoio
Pra fugir da oligarquia.

O fato histórico é sagrado,
Julgá-lo a mim não compete
Usando a analogia
O Canudos se repete
Um tal de João Maria
No Paraná pinta o sete.

Santa Catarina briga
Com Paraná seu irmão
O contestado e o monge
Se instalou na região
Arrebanhou mais fanáticos
Formando uma legião.

Foi negócio pra valer
E o Marechal enfrentou
Porém a fé dos sequazes
Aos exércitos derrotou
Só no outro governo
A fogueira se apagou.

Setembrino de Carvalho
Com seis mil soldados ia
Espalhar no Contestado
Os adeptos de Maria
Que perdendo sua fé
Pra qualquer lado corria.

As finanças de governo
Já não é nem bom falar
Porque falta de dinheiro
Todos tão a reclamar
E aparecendo a crise
A coisa vai piorar.

Foi a crise da borracha
Que no norte se esboçou
Retração de capitais
Aí a crise aumentou
Pois para política instável
Não se obtém fiador.

Na décima primeira estrofe
O Rivadávia está lá
Que foi ministro de Hermes
E talvez para esnobar
No ensino fez reforma
Que podemos recordar.

Na escola superior
Tinha toda liberdade
Se podia ser doutor
Com muita facilidade
Pois com sessenta mil reis
Se escondia da verdade.

O famoso Doutor Sessenta
Itamar já nos falou
Não escrevia nem lia
Mas em fim era doutor
Tinha anel e canudo
Que com dinheiro comprou.

Foi o Marechal Hermes
O oitavo presidente
Podia ter sido o sétimo
Se o sexto não cai doente
Pois Dr. Nilo Peçanha
Sendo vice vai pra frente.

Gaúcho de boa cepa
Também fez revolução
Ajudou a seu parente
Fazer a proclamação
De Afonso foi ministro
Da guerra, com distinção.

Como presidente fez
Obras de saneamento
Duplicou a linha férrea
Trabalhou com bom intento
Mas o povo discordou
E acabou sem fundamento.

Quando deixou o governo
Foi eleito senador
O Rio Grande do Sul
Esta homenagem prestou
Mas o homem encabulado
O cargo renunciou.

Não falei do Padre Cícero
Por uma questão latente
Vivendo no Ceará
Ao lado de tanta gente
Casava e batizava
Dava saúde aos doentes.

O padre Cícero Romão
Ao governo deu trabalho
Porque sendo inteligente
Alguém lhe quebrava o galho
Sempre trazendo um trunfo
Quando traçava o batalho.

Pelos chefes da igreja
Ele foi excomungado
Talvez tenha sido inveja
Pelos milagres falados
E ainda bota pra traz
Muitos santos diplomados.

Eu podia dizer mais
E verdade disso eu sei
Não pretendo esnobar
Pois só fatos relatei
E mais em terra de cego
Quem tiver um olho é Rei.

fonte: http://www.cordel.01br.com/

Nossa História - Marechal Deodoro da Fonseca - Personagem da Proclamação da República do Brasil




                                                     Marechal Deodoro da Fonseca
                                                        5/8/1827, Alagoas, Alagoas
                                                        23/8/1892, Rio de Janeiro, RJ

Presidente do Brasil - de 15/11/1889 a 25/02/1891
e de 25/02/1891 a 23/11/1891


   Marechal Deodoro nasceu na cidade de Alagoas, atual Marechal Deodoro, em Alagoas, no dia 5 de agosto de 1827 e estudou em escola militar desde os 16 anos. Em 1848, aos 21 anos, integrou as tropas que se dirigiram a Pernambuco para combater a Revolução Praieira e participou ativamente de outros conflitos durante o Império, como a brigada expedicionária ao rio da Prata, o cerco a Montevidéu e da Guerra do Paraguai.

Ingressou oficialmente na política em 1885, quando exerceu o cargo de presidente (equivalente ao atual de governador) da província do Rio Grande do Sul. Assumiu a presidência do Clube Militar de 1887 a 1889 e chefiou o setor antiescravista do Exército. Com o título de marechal, Deodoro da Fonseca proclamou a república brasileira no dia 15 de novembro de 1889 e assumiu a chefia do governo provisório.

A primeira constituição republicana estabelecia que as eleições no Brasil seriam diretas e que o presidente e seu vice seriam eleitos pelo voto popular. Entretanto, determinava também que, em caráter excepcional, o primeiro presidente e o primeiro vice seriam eleitos indiretamente, isto é, pelo Congresso Nacional. Foi o que aconteceu. No dia seguinte à promulgação da Constituição, o Congresso elegeu de forma indireta os marechais Deodoro da Fonseca para presidente e Floriano Peixoto para vice-presidente, em 25 de fevereiro de 1891.

O governo do Marechal deveria terminar em 1894, mas o período registrou sérios problemas políticos e econômicos. A política econômica, que tinha como ministro da Fazenda Rui Barbosa, foi marcada pelo "encilhamento", que se caracterizou pelo incentivo à emissão de moeda por alguns bancos e pela criação de sociedades anônimas. Como resultado, houve forte especulação financeira e falência de bancos e empresas.

A formação de um novo ministério liderado pelo barão de Lucena, político vinculado à ordem monárquica, a tentativa de centralização do poder e às resistências encontradas no meio militar conduziram o país a uma crise política, que teve seu ápice na dissolução do Congresso Nacional. Ao mesmo tempo crescia no meio militar a influência de Floriano
Peixoto, que também fazia oposição a Deodoro juntamente com as forças legalistas que levaram à renúncia de Deodoro da Fonseca em 23 de novembro de 1891.

Nossa História - Quintino Bocaiuva - Personagem da Proclamação da República do Brasil

Quintino Bocaiuva


   O famoso jornalista e político Quintino Bocaiuva nasceu como Quintino Antônio Ferreira
de Sousa, no município de Itaguaí, no estado do Rio de Janeiro, no dia 4 de dezembro de
1836, e aos 24 anos de idade veio para a cidade de São Paulo, para estudar na
Faculdade de Direito de São Paulo, no curso de Humanidades, em 1951, ao mesmo
tempo começou a trabalhar como tipógrafo e revisor do jornal do Partido Liberal chamado
O Ipiranga, mas mais tarde teve de abandonar os estudos por falta de recursos.
   Como estava muito na moda naquela época, Quintino adotou um nome nativista,
passando a assinar como Quintino de Sousa Bocaiuva, e depois por apenas Quintino
Bocaiuva para mostrar suas convicções às raízes culturais brasileiras nativas escolhendo
Bocaiuva, que é o nome de palmeira conhecida por macaúba ou coco-de-catarro que é
encontrada em todo o Brasil. Também foi iniciado na Maçonaria e passou a defender as
ideias contrárias ao positivismo, que é um conceito que nega à ciência qualquer
possibilidade de investigar a causa dos fenômenos naturais e social, opondo-se ao
racionalismo e ao idealismo, que foi amplamente propagado por Augusto Comte no século
XVII.
   Depois retornou ao Rio de Janeiro e passou a trabalhar no jornal Diário do Rio e
posteriormente em 1860, passou para o Correio Mercantil, onde permaneceu por quatro
anos. Logo passou a ficar conhecido por ser um defensor ardoroso dos ideais
republicanos.
   Mais tarde, Quintino Bocaiuva e o mestre maçônico Saldanha Marinho formaram o Clube
Republicano no Rio de Janeiro, e em 3 dezembro de 1870, quando Salvador Mendonça
fundou o jornal A República, Quintino Bocaiuva e Joaquim Saldanha Marinho publicaram
no primeiro artigo do jornal, o Manifesto Republicano, com o ideal de derrubar a
Monarquia e assim estabelecer a República Federativa do Brasil. Por essa época também
passou a ser cognominado por seu contemporâneos como “O Príncipe dos Jornalistas
Brasileiros”.
   Após um comício em 27 de fevereiro de 1873 festejando a implantação da república na
Espanha o jornal começou aos pouco a cair no esquecimento e parou de circular
definitivamente pouco tempo depois, mas Quintino não abandonou a luta e foi trabalhar
no jornal O Globo, onde permaneceu até 1883. Depois foi trabalhar no periódico matutino
do Rio de Janeiro, fundado pelo imigrante português João Jose dos Reis Júnior, onde
exerceu o cargo de redator-chefe de 1885 até ao início do século XX, um jornal que
exerceu uma grande influência nas campanhas republicanas brasileira.
   Também fez importantes aproximações com personalidades como Benjamin Constant, Botelho
de Magalhães e Marechal Deodoro da Fonseca, entre outros. Em 15 de novembro de 1889, foi
proclamada a República do Brasil, derrubando a monarquia constitucional parlamentarista do
Império do Brasil, pondo um fim à soberania do imperador Dom Pedro II. Nesta data o marechal
Deodoro da Fonseca foi empossado como presidente da república, tendo como vice-presidente
o marechal Floriano Peixoto e como ministros Benjamin Constant, Botelho Magalhães, Quintino
Bocaiuva, Rui Barbosa, Campos Sales, Aristides Lobo, Demétrio Ribeiro e o almirante Eduardo
Wandenkolk, todos membros regulares da maçonaria brasileira.


   Como político Quintino Bocaiuva foi Ministro das Relações Exteriores, negociou o Tratado de
Montevidéu, assinado em 25 de janeiro de 1890, entre a Argentina e Brasil, tratado esse que
visava solucionar a Questão de Palmas, onde a Argentina reivindicava a região Oeste dos
atuais estados do Paraná e de Santa Catarina, pretendendo estabelecer as fronteiras pelos rios
Chapecó e Chopim, entre outras negociações. Em 1890 elegeu-se senador, mas renunciou
após a promulgação da Constituição de 1891, época que retornou a sua atividade jornalística,
mas em 1899, candidatou-se novamente e foi eleito senador novamente e presidente do Rio de
Janeiro, algo muito semelhante a governador do Rio de Janeiro. Retornou em 1903, para assumir a presidência do Partido Republicano Conservador, onde ficou até sua morte, em 11 de junho de 1912, no Rio de Janeiro, aos 75 anos de idade. O bairro onde ele morou, que era a região que pertencia a freguesia de Inhaúma, recebeu o nome de Quintino Bocaiuva, em sua homenagem.

 Fontes Bibliográficas
http://pt.wikipedia.org/wiki/Quintino_Bocaiuva
http://educacao.uol.com.br/biografias/quintino-bocaiuva.hthm
http://www.algosobre.com.br/biografias/quintino-bocaiuva.html
http://www.hc1960.org.br/Paginas/Quintino_Bocaiuva.htm

Nossa História - 15 de Novembro de 1889 - Proclamação da Repúblic



O movimento Proclamação da República consiste quando o Brasil deixa de ser imperial e passa a ser República Federativa.

Movimento Proclamação da República


O Marechal Deodoro da Fonseca capitaneou o processo de instauração da República em 15 de novembro de 1889 

A Proclamação da República Brasileira ocorreu no dia 15 de novembro de 1889, na cidade do

Rio de Janeiro, então capital do Império. É por isso que, nesse dia, celebra-se esse acontecimento,
sendo decretado feriado em todo o território nacional. O processo de instauração do regime
republicano no Brasil teve como antecedentes: as várias crises institucionais que o reinado
de Dom Pedro II sofreu ao longo das décadas de 1870 e 1880 e as manifestações ideológicas que
permearam esse mesmo período.
A estrutura do poder imperial, que possuía um caráter centralizador, não permitia que as províncias
tivessem autonomia – fato que desagradava elites regionais, como a dos fazendeiros do oeste
paulista. Além disso, havia insatisfação também entre os militares, que almejavam, em grande parte,
imbuídos de ideais positivistas e republicanos, uma república autoritária e modernizadora.
Havia também o grupo dos civis defensores do republicanismo e do abolicionismo, notável em suas
ferrenhas críticas à estrutura do poder imperial. Nomes como os dos jornalistas Quintino Bocaiuva e Silva Jardim destacaram-se nesse processo. Esse último caracterizou-se por uma postura mais radical e revolucionária, enquanto o primeiro procurou articular os vários interessados na derrubada do Império com o objetivo de fazer uma transição o menos violenta possível.
Bocaiuva, ao lado de outro jornalista republicano, Aristides Lobo, foi, então, um dos principais
responsáveis pela união dos interesses que almejavam o fim do reinado de Pedro II, tanto de
militares e fazendeiros quanto de revolucionários republicanos. Em meados de 1889, após os
membros republicanos do Parlamento terem rejeitado as propostas reformistas de Pedro II, que
pretendia conservar-se no poder, Bocaiuva e Aristides Lobo começaram suas articulações e, em
novembro, associaram-se ao Marechal Deodoro da Fonseca, principal chefe do exército brasileiro,
e prepararam o golpe que foi dado no dia 15.
Após a Proclamação da República, Deodoro confeccionou uma notificação que foi encaminhada à
família real, cujo conteúdo ordenava a saída do imperador e sua família do país.A família real seguiu rumo à Europa no dia 18 de novembro. Neste momento após 67 anos regido por um Imperador autoritário e cheio de poderes, o Brasil respirava novos ares como uma nova República, tendo Marechal Deodoro da Fonseca como presidente provisório, que seria supostamente substituído por presidentes eleitos pelo voto direto popular. E assim pode-se dizer que a República foi um consolidador da democracia Brasileira, que segue até os dias de hoje. O processo da
passagem do Império à República já foi largamente estudado por historiadores, desde o fim do
século XIX até os dias de hoje. O impacto desse evento na época está bem documentado e revela o
caráter de quase incredulidade da maior parte da população, princialmente da capital à época, Rio
de Janeiro, que viu, em poucos dias, o ocaso do Império, como pode ser observado neste relato do
jornal carioca Novidades:
“Todo o movimento social da cidade acha-se paralisado. O comércio em grande parte fechou as
portas. As ruas mais frequentadas estão desertas; raros transeuntes passam, apressados, como
perseguidos. […] O serviço de bondes é feito com grande irregularidade; há longos intervalos no
trânsito dos carros, que chegam aos pontos de estação aos grupos de cinco e seis. […] O pânico
anda no ar e nas consciências.” (Novidades [jornal]. Rio de Janeiro, 15 nov. 1889

                                             O jornalista Quintino Bocaiuva foi um dos principais articuladores do golpe de 1889

Hino da República
Letra: Medeiros e Albuquerque
Música: Leopoldo Augusto Miguez

Seja um pálio de luz desdobrado,
Sob a larga amplidão destes céus.
Este canto rebel, que o passado
Vem remir dos mais torpes labéus!
Seja um hino de glória que fale
De esperanças de um novo porvir!
Com visões de triunfos embale
Quem por ele lutando surgir!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós,
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz

Nós nem cremos que escravos outrora

Tenha havido em tão nobre País..
.
Hoje o rubro lampejo da aurora
Acha irmãos, não tiranos hostis.
Somos todos iguais! Ao futuro
Saberemos, unidos, levar
Nosso augusto estandarte que, puro,
Brilha, ovante, da Pátria no altar !

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós,
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz

Se é mister que de peitos valentes
Haja sangue em nosso pendão,
Sangue vivo do herói Tiradentes
Batizou neste audaz pavilhão!
Mensageiro de paz, paz queremos,
É de amor nossa força e poder,
Mas da guerra, nos transes supremos
Heis de ver-nos lutar e vencer!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós,
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz

Do Ipiranga é preciso que o brado
Seja um grito soberbo de fé!
O Brasil já surgiu libertado,
Sobre as púrpuras régias de pé.
Eia, pois, brasileiros avante!
Verdes louros colhamos louçãos!
Seja o nosso País triunfante,
Livre terra de livres irmãos!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!