O LIVRO

O LIVRO
Mostrando postagens com marcador escravidão no Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escravidão no Brasil. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Data comemorativa - 20 de Novembro - DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA





O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, foi instituído oficialmente pela lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011. A data faz referência à morte de Zumbi, o então líder do Quilombo dos Palmares – situado entre os estados de Alagoas e Pernambuco, na região Nordeste do Brasil. Zumbi foi morto em 1695, na referida data, por bandeirantes liderados por Domingos Jorge Velho.

A data de sua morte, descoberta por historiadores no início da década de 1970, motivou membros do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial, em um congresso realizado em 1978, no contexto da Ditadura Militar Brasileira, a elegerem a figura de Zumbi como um símbolo da luta e resistência dos negros escravizados no Brasil, bem como da luta por direitos que seus descendentes reivindicam.

Com a redemocratização do Brasil e a promulgação da Constituição de 1988, vários segmentos da sociedade, inclusive os movimentos sociais, como o Movimento Negro, obtiveram maior espaço no âmbito das discussões e decisões políticas. A lei de preconceito de raça ou cor (nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989) e leis como a de cotas raciais, no âmbito da educação superior, e, especificamente na área da educação básica, a lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que instituiu a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-brasileira, são exemplos de legislações que preveem certa reparação aos danos sofridos pela população negra na história do Brasil.

A figura de Zumbi dos Palmares é especialmente reivindicada pelo movimento negro como símbolo de todas essas conquistas, tanto que a lei que instituiu o dia da Consciência Negra foi também fruto dessa reivindicação. O nome de Zumbi, inclusive, é sugerido nas Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana como personalidade a ser abordada nas aulas de ensino básico como exemplo da luta dos negros no Brasil. Essa sugestão orienta-se por uma das determinações da lei Nº 10.639, que diz no Art. 26-A, parágrafo 1º: “O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.”

A despeito da comemoração do Dia da Consciência Negra ser no dia da morte de Zumbi e do que essa figura histórica representa enquanto símbolo para movimentos sociais, como o Movimento Negro, há muita polêmica no âmbito acadêmico em torno da imagem de Zumbi e da própria história do Quilombo dos Palmares. As primeiras obras que abordaram esse acontecimento histórico, como as de Edison Carneiro (O Quilombo dos Palmares, Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 3a ed., 1966), de Eduardo Fonseca Jr. (Zumbi dos Palmares, A História do Brasil que não foi Contada. Rio de Janeiro: Soc. Yorubana Teológica de Cultura Afro-Brasileira, 1988) e de Décio Freitas (Palmares, a guerra dos escravos. Porto Alegre: Movimento, 1973), abriram caminho para a compreensão da história da fundação, apogeu e queda do Quilombo dos Palmares, mas, em certa medida, deram espaço para o uso político da figura de Zumbi, o que, segundo outros historiadores que revisaram esse acontecimento, pode ter sido prejudicial para a veracidade dos fatos.

Um dos principais historiadores que estudam e revisam a história do Quilombo dos Palmares atualmente é Flávio dos Santos Gomes, cuja principal obra é De olho em Zumbi dos Palmares: História, símbolos e memória social (São Paulo: Claro Enigma, 2011). Flávio Gomes procurou, nessa obra, realizar não apenas uma revisão dos fatos a partir do contato direto com as fontes do século XVI e XVII, mas também analisar o uso político da imagem de Zumbi. Segundo esse autor, o tio de Zumbi, Ganga Zumba, que chefiou o quilombo e, inclusive, firmou tratados de paz com as autoridades locais, acabou tendo sua imagem diminuída e pouco conhecida em razão da escolha ideológica de Zumbi como símbolo de luta dos negros.

Além dessa polêmica, há também o problema referente à própria estrutura e proposta de resistência dos quilombos no período colonial. Historiadores como José Murilo de Carvalho acentuam que grandes quilombos, como o de Palmares, não tinham o objetivo estrito de apartar-se completamente da sociedade escravocrata, tendo o próprio Quilombo dos Palmares participado do tráfico e do uso de escravos. Diz ele, na obra Cidadania no Brasil: “Os quilombos que sobreviviam mais tempo acabavam mantendo relações com a sociedade que os cercava, e esta sociedade era escravista. No próprio quilombo dos Palmares havia escravos”. (CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil. O longo Caminho. 3ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002. p. 48).

As polêmicas partem de indagações como: “Se Zumbi, que foi líder do Quilombo de Palmares, possuía escravos negros, a noção de luta por liberdade nesse contexto era bem específica e não pode colocá-lo como símbolo de resistência contra a escravidão”. A própria história da África e do tráfico negreiro transatlântico revela que grande parte dos escravos que a coroa portuguesa trazia para o Brasil Colônia era comprada dos próprios reinos africanos que capturavam membros de reinos ou tribos rivais e vendiam-nos aos europeus. Essa prática também ressoou, como atestam alguns historiadores, em dada medida, nos quilombos brasileiros.

Nesse sentido, a complexidade dos fatos históricos nem sempre pode adequar-se a anseios políticos. Os estudos históricos precisam dar conta dessa complexidade e fornecer elementos para compreender o passado e sua relação com o presente. Entretanto, esse processo precisa ser cuidadoso. O uso de datas comemorativas como marcos de memória suscita esse tipo de polêmica, que deve ser pensada e discutida criteriosamente, sem prejuízo nem das reivindicações sociais e, tampouco, da veracidade dos fatos.

Artigo escrito por Me. Cláudio Fernandes

domingo, 6 de setembro de 2015

Nossa História - BRASIL PÓS INDEPENDÊNCIA - A PRIMEIRA DÍVIDA EXTERNA BRASILEIRA


Na gravura inglesa de 1849, navio negreiro brasileiro é interceptado por embarcação inglesa no Atlântico 


Os primeiros países que reconheceram a independência do Brasil foram os Estados Unidos e o México. Portugal exigiu do Brasil o pagamento de 2 milhões de libras esterlinas para reconhecer a independência de sua ex-colônia. Sem este dinheiro, D. Pedro recorreu a um empréstimo da Inglaterra.

Embora tenha sido de grande valor, este fato histórico não provocou rupturas sociais no Brasil. O povo mais pobre se quer acompanhou ou entendeu o significado da independência. A estrutura agrária continuou a mesma, a escravidão se manteve e a distribuição de renda continuou desigual. A elite agrária, que deu suporte D. Pedro I, foi a camada que mais se beneficiou.

 Em 1826, a Inglaterra, em troca do empréstimo e do apoio prestados, conseguiu, junto a D. Pedro I, renovação dos tratados de 1810 por mais 15 anos. A baixa tributação sobre as mercadorias inglesas propiciou à coroa inglesa do domínio sobre o comércio brasileiro. Por outro lado, o baixo preço das mercadorias importadas inviabilizava o desenvolvimento da produção industrial local, além de provocar crescente déficit na balança comercial brasileira. Como consequência, a necessidade de frequentes empréstimos fazia aumentar cada vez mais a dívida e a dependência econômica do Brasil em relação à Inglaterra, a grande potência da época.  Ah, com a renovação deste tratado, Brasil se comprometeu a acabar com o tráfico de escravos em 4 anos, o que não aconteceu. pois a abolição dos escravos, sendo que o Brasil foi o último o país a reconhecer a libertação da escravatura se deu em 1888.... mas esta é outra história.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Nossa História - Retrato Genético do Brasil









Somos um dos países americanos, ou quem sabe o único, a receber escravos de todas as partes da África. Hoje, as pesquisas genéticas comprovam cientificamente esse fato...

Pesquisadores costumam afirmar, sem exagero, que as riquezas conquistadas pela sociedade brasileira entre os séculos 16 e 19 foram provenientes da mão de obra escrava. Por quase 400 anos, essa se tornou nossa maior força de trabalho. No século 16, foram os índios. Os primeiros carregamentos de cana de açúcar que saíram de Pernambuco rumo à Europa, por exemplo, foi resultado do esforço indígena.

Porém, alguns fatores levaram os donos de engenho trocar os índios pelos negros que começavam a desembarcar no Nordeste. “Em 1539, Duarte Coelho, donatário de Pernambuco, solicitou isenção do imposto que devia pagar pela importação de ‘peças’ africanas”, escreve José Roberto Pinto de Góes, professor de História do Brasil da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e pesquisador da CNPq, em um artigo para a Rede Virtual de Memória Brasileira, da Fundação Biblioteca Nacional, RJ: entre 1531 a 1575 desembarcaram nos portos do Nordeste cerca de 10 mil escravos.
De acordo com o pesquisador Góes, foram três os motivos que levaram os portugueses a fazer a troca. De 1540 a 1560, a população indígena diminuiu consideravelmente devido às mortes ocasionadas seja por guerras ou por epidemias. Em contrapartida, com a criação de novos engenhos por conta da expansão da produção açucareira, houve um aumento substancial da necessidade de mão de obra. Por fim, os portugueses não poderiam deixar de aproveitar a boa relação de negócios que se estabeleceu entre eles e os dirigentes africanos que comandavam o comércio de escravos do outro lado do Atlântico já no fim do século 15: “A captura e o embarque de milhões de pessoas que vieram como escravos para as Américas não teria sido possível se não tivessem existido sólidos interesses ligados ao tráfico transatlântico em ambas as margens do oceano”, pondera o professor José Roberto Pinto de Góes.


Reprodução
Africanos cativos sendo levados para um navio negreiro

© Musée de la Marine / Négrier poursuivu

Reprodução
A doença imperava em tais navios. Os capitães não ganhavam dinheiro pelos escravos doentes, mas eram reembolsados por afogamentos...
Johann Moritz Rugendas

Reprodução
Os africanos foram trazidos para substituir os índios no trabalho escravo
Entre os séc. 16 e 19 vieram cerca de 4 milhões de homens, mulheres e crianças, mais de 1/3 de todo comércio das américas


Para inglês ver

Em pouco tempo, o tráfego negreiro, a despeito de todas as dificuldades encontradas nas viagens, tornou-se uma das transações mais rentáveis do Brasil colônia. No período, houve uma intensa movimentação pelo Atlântico de navios negreiros, também conhecidos como tumbeiros devido ao alto índice de mortes que ocorriam durante as viagens, partindo das costas oeste e leste do continente Africano e desembarcando escravos nos portos de Recife, Salvador e Rio de Janeiro, principalmente.

Essa enorme circulação de pessoas foi um dos maiores deslocamentos populacionais de toda a história da humanidade. “Entre os séculos 16 e 19, mais de 12,5 milhões de africanos foram levados para a América e Europa. Desses, cerca de 10,7 milhões chegaram vivos ao fim da travessia”, contabiliza o historiador Manolo Florentino, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal Fluminense.

De todos os países com cultura escravagista, o Brasil foi o país americano que mais importou mão de obra africana. Entre os séculos 16 e meados do 19, vieram cerca de 4 milhões de homens, mulheres e crianças, o equivalente a mais de um terço de todo comércio negreiro nas Américas, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

As evidências das origens étnicas africanas são, em geral, baseadas em dados históricos. Os primeiros foram os registros dos navios negreiros. Mas nem sempre esses apontamentos estavam corretos. Por razões comerciais, muitos lançamentos eram falsos. Por exemplo: em 1810, Portugal e Inglaterra assinaram o Tratado de Aliança, Comércio e Amizade no qual entre outras coisas, estava previsto a extinção gradual do tráfego de escravos. Mas tudo continuou na mesma. Em 1827, para ser reconhecido como país livre, a Inglaterra fez pressão e o Brasil teve de ratificar o acordo de 1810, prometendo extinguir o tráfego de vez. Por fim, a lei que ficou conhecida como “Lei para inglês” ver foi promulgada em 7 de novembro de 1831, a qual proibia terminantemente o tráfego, sem mais demoras.

“Embora promulgada, a lei foi solenemente ignorada por traficantes, fazendeiros e autoridades”, confirma o professor Góes. Por isso, apesar da proibição e, melhor ainda, com a Coroa portuguesa fora do negócio, os contrabandistas continuaram mais ativos do que nunca até 1850 quando foi aprovada a lei de autoria de Eusébio de Queirós, ministro da Justiça do Segundo Reinado, que regulamentava a extinção total do tráfego de escravos. Portanto, muito contrabando foi feito nesse período de 20 anos. Daí a dúvida sobre os registros da origem de muitos escravos, principalmente dos que afirmavam que o porto de embarque foi em Angola.

“Houve uma intensa movimentação pelo Atlântico de navios negreiros, também conhecidos como tumbeiros devido ao alto índice de mortes que ocorriam durante as viagens, partindo das costas oeste e leste do continente Africano”

Até 1700, os portos de Guiné e Congo, na costa ocidental, eram os maiores exportadores de negros, mas durante o século 18, os navios negreiros saíam com mais frequência de Angola. Os portugueses preferiam fazer seus negócios na costa oeste da África porque conheciam bem o mercado escravista dessa região desde antes do descobrimento do Brasil. Entretanto, durante muitos anos, para driblar a lei e os ingleses, os traficantes em vez de se dirigirem aos portos conhecidos da África Ocidental, desviavam a rota para Moçambique, do outro lado, na costa leste do continente, banhada pelo Oceano Índico. De lá, saiam escravos que eram trazidos para o Brasil e registrados como angolanos.

“A proporção de escravos oriundos da faixa litorânea (hoje Senegal, Guiné-Bissau, Serra Leoa, Libéria, Costa do Marfim, Togo, Benim, Nigéria, Camarões, Gabão, Repúblicas do Congo e Nigéria) pode ter sido de duas a quatro vezes maior”

Também existem evidências históricas de que muitos comerciantes africanos se viram obrigados a avançar mais para o centro do continente à procura de gente, por conta das populações que viviam em toda a extensão litorânea (leste e oeste) e se deslocaram para outras áreas na tentativa de não serem capturadas.


Mil grupos, línguas e culturas

Na verdade, os milhões de africanos que vieram para o Brasil sempre foram considerados como se pertencessem a um só povo, com uma cultura que, ainda por cima, era considerada inferior. Nada mais longe da verdade do que essa hipótese. Ainda hoje, os pesquisadores não sabem identificar com exatidão quais foram (e para onde se dirigiam) as milhares de etnias africanas que chegaram ao Brasil. Para confundir ainda mais, quando chegavam, os escravos recebiam o nome do porto de seu embarque. Os principais eram da Costa da Mina, de Luanda, de Benguela (Angola) e de Cabinda (Congo). Como consequência, os escravos passavam a ser chamados de Maria Mina ou Antonio
Cabinda, por exemplo.

Entretanto, hoje já se sabe que pelo porto de Luanda – de onde saiu a maior quantidade de escravos para o Brasil – embarcaram as etnias dembo, ambundo, imbangala, lunda, entre outras. Já do centro e do leste do continente africano, em geral, do porto de Moçambique, partiram outras etnias também do grupo Banto, que falavam vários idiomas como o umbundo, o quimbundo, o kicongo, o nagô e o macua.


Não fica difícil imaginar a complicação que ainda é para os pesquisadores definir quais as verdadeiras raízes étnicas e culturais das várias regiões do Brasil que receberam os escravos que se tornaram fundamentais na construção e na identidade do povo brasileiro – seja de São Luiz do Maranhão, Rio de Janeiro ou Porto Alegre.


Jean-Baptiste Debret
A proporção de homens e mulheres iorubás, jejes e malês capturados na África Ocidental supera em muito o cálculo estimado, há anos, por pesquisadores americanos


Para resgatar parte dessa história ainda não de todo esclarecida, os geneticistas Sérgio Danilo Pena, pesquisador e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Maria Cátira Bortolini, pesquisadora e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul realizaram um estudo de suma importância para a história e para a maioria dos brasileiros que, independente da cor da pele, recebeu como legado os genes dos escravos que vieram para cá.

Analisando o DNA de pessoas que vivem em três capitais brasileiras, os pesquisadores compararam o padrão de alterações genéticas compartilhado por africanos e brasileiros. Dessa maneira, puderam saber qual a participação de cada região africana no envio dos escravos para o Brasil. Os resultados confirmaram que três regiões (oeste, centro-oeste e sudeste), foram as que mais exportaram mão de obra para cá. Até aí, tudo bem. As pesquisas históricas já tinham revelado esse fato.

A novidade é que a proporção de homens e mulheres iorubás, jejes e malês, por exemplo, capturados na África Ocidental, vasta região litorânea banhada pelo Atlântico, pode ter superado em muito o cálculo estimado há anos por pesquisadores americanos. Avaliando registros de viagem dos africanos, Herbert Klein, da Universidade de Colúmbia, e David Eltis, da Universidade Emory, ambas nos Estados Unidos, calcularam que, no total, 10% dos escravos teriam vindo da região oeste da África.

“85% dos negros brasileiros têm uma ancestral africana, enquanto a herança genética de um antepassado escravo é de 47%. O restante dos negros brasileiros, em sua linhagem paterna, apresentou a genética de sua ancestralidade europeia”

O material genético analisado pelos pesquisadores Sérgio Pena e Maria Cátira Bortolini revelou que a proporção de escravos oriundos da faixa litorânea que hoje compreende países como Senegal, Guiné- Bissau, Serra Leoa, Libéria, Costa do Marfim, Togo, Benim, Nigéria, Camarões, Gabão, as duas Repúblicas do Congo e Nigéria pode ter sido de duas a quatro vezes maior do que supunham os pesquisadores americanos. Mesmo com a correção dos cálculos, no total, o número dos escravos vindos de Angola (considerada como parte da região centro-oeste africana), antiga colônia portuguesa que conseguiu sua independência somente em 1975, ainda supera o de qualquer outra região.



O tráfego em números

Segunda conclusão da pesquisa: a proporção dos escravos vindos do oeste africano não foi a mesma para todas as regiões brasileiras. Os geneticistas Sérgio Pena e Vanessa Gonçalves analisaram amostras de sangue de 120 paulistas que se consideravam negros, bem como aos seus pais e avós. Resultado: 40% desses paulistas apresentavam material genético típico do oeste africano.


Jean-Baptiste Debret
Pintura de Rugendas

Essa proporção, no entanto, foi menor no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, segundo artigo das geneticistas Maria Cátira e Tábita Hünemeier da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), publicado no American Journal of Physical Anthropology. Dos 94 negros cariocas, 31% herdaram de seus antepassados a genética do oeste africano, que também esteve presente em 18% dos 107 gaúchos.

Para tentar entender as diferenças, foi a vez dos geneticistas saírem em busca de fatos históricos que confirmassem seus resultados. Foi aí que conseguiram entender as discrepâncias nos percentuais dos três Estados.

Nos séculos 16 e 17, os africanos da costa oeste chegaram aos portos de Salvador e Recife e foram trabalhar nos engenhos de cana-de-açúcar. Porém, anos mais tarde, com a decadência da produção açucareira, parte dessa mão de obra se deslocou para os cafezais que floresciam no Estado de São Paulo. Daí o Estado apresentar uma maior proporção de descendentes de escravos oriundos da costa oeste.

Já a geneticista Maria Cátira Bortoloni acredita que a baixa concentração de indivíduos originários da região em Porto Alegre aconteceu por uma causa indireta: 80% da mão de obra africana do Rio Grande do Sul vinha do Rio de Janeiro, que recebia escravos de todos os lugares. Os escravos do sul também vieram de Moçambique (no sudeste africano), mas em menor proporção (12%). Principalmente depois que a Inglaterra aumentou o controle sobre os portos africanos situados no Atlântico, muitos deles tiveram alterados seus registros de entrada como sendo originários de Angola.


Mamma África

Outro resultado encontrado pelos pesquisadores é que, embora tenham vindo muito mais homens do que mulheres, o negro brasileiro contemporâneo traz em seu material genético uma contribuição bem maior das mães africanas. Ou seja, 85% dos negros brasileiros têm uma ancestral africana, enquanto a herança genética de um antepassado (homem) escravo é de 47%. O restante dos negros brasileiros, em sua linhagem paterna, apresentou a genética de sua ancestralidade europeia.

Esses dados vieram confirmar a teoria do sociólogo pernambucano Gilberto Freyre que em seu clássico ensaio sobre a formação do povo brasileiro, escrito em 1933, relatou que as mulheres da senzala exerceram um fascínio todo especial sobre os senhores de engenho, brancos de origem europeia e que habitavam a casa-grande.

Texto: Rose Mercatelli



Saiba +
- Rede Virtual de Memória Brasileira, da Fundação Biblioteca Nacional, RJ http://bndigital.bn.br/redememoria/escravidao.htm
- Brasil: 500 anos de Povoamento, IBGE, RJ, 2000
- Em Costas Negras, Manolo Florentino, Companhia das Letras, 1997


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Dia Internacional da Abolição da Escravatura - UM CRIME CONTRA A HUMANIDADE


A abolição do comércio transatlântico de escravos no século XIX não erradicou esta prática mundial. Pelo contrário, assumiu outras formas, que persistem ainda hoje: escravatura, servidão por dívida e trabalho forçado ou obrigatório, tráfico de mulheres e crianças, escravatura doméstica e prostituição forçada, incluindo de crianças, escravatura sexual, casamentos forçados e venda de esposas, trabalho infantil e servidão infantil, entre outros.
Esta realidade obriga a comunidade internacional a manter-se vigilante e a intensificar os seus esforços para erradicar as formas contemporâneas de escravatura. A escravatura moderna é um crime e as pessoas que o cometem, toleram ou facilitam devem ser levados perante a justiça. As vítimas e os sobreviventes têm direito a recurso e a reparação.

A preocupação da comunidade internacional com a situação das pessoas que vivem em condições de escravatura deu origem à criação de vários instrumentos jurídicos importantes, o mais recente dos quais é o Protocolo para Prevenir, Reprimir e Punir o Tráfico de Pessoas, Especialmente Mulheres e Crianças, que entrou em vigor em 2003 como um complemento da Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional.

Jurisdições de todo o mundo abriram o caminho para novos avanços nos processos judiciais de reparação. O Tribunal Internacional de Justiça contribuiu para o reconhecimento da escravatura como crime contra a humanidade e o direito a não ser submetido à escravatura é considerado tão fundamental que todas as nações têm legitimidade para levas a Tribunal todos os Estados transgressores.

O Tribunal Penal Internacional para a Ex-Jugoslávia formulou uma acusação de escravatura como crime contra a humanidade por atos de violação e escravatura. E o Tribunal de Justiça da Comunidade Economica dos Estados Oeste Africano (CEDEAO) declarou recentemente que a escravatura é um crime contra a humanidade.

Ban Ki-moon - Secretário Geral da ONU
Neste Dia Internacional, exorto todos os Estados a ratificarem e aplicarem os instrumentos jurídicos e a cooperarem plenamente com o Relator Especial da ONU sobre formas contemporâneas de escravatura. Faço também um apelo a todos os Estados membros da ONU, para que contribuam generosamente para o Fundo Voluntário das Nações Unidas sobre Formas Contemporâneas de Escravatura, que tem ajudado milhares de vítimas a recuperar a vida e a dignidade.

fonte: Mensagem do Secretário Geral Ban Ki-moon - Dia Internacional da Abolição da Escravatura - 2 de Dezembro de 2010


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Nossa História, Nossa Literatura - O NAVIO NEGREIRO - Castro Alves

Castro Alves





Com imagens do filme Amistad, realizado por Steven Spielberg. Escute Tragédia no mar (ou O navio negreiro) de Castro Alves, na voz de Paulo Autran.

O poeta Castro Alves escreveu O navio negreiro aos 22 anos, em 1869. A lei Eusébio de Queirós, que proibia o tráfico de escravos, fora promulgada quase vinte anos antes. Cada parte do poema tem métrica própria, de maneira que o ritmo de cada estrofe retrata a situação apresentada nela. 




navio negreiro




O NAVIO NEGREIRO
Castro Alves

I
'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço 
Brinca o luar — dourada borboleta; 
E as vagas após ele correm... cansam 
Como turba de infantes inquieta.

'Stamos em pleno mar... Do firmamento 
Os astros saltam como espumas de ouro... 
O mar em troca acende as ardentias, 
— Constelações do líquido tesouro... 

'Stamos em pleno mar... Dois infinitos 
Ali se estreitam num abraço insano, 
Azuis, dourados, plácidos, sublimes... 
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?... 

'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas 
Ao quente arfar das virações marinhas, 
Veleiro brigue corre à flor dos mares, 
Como roçam na vaga as andorinhas... 

Donde vem? onde vai? Das naus errantes 
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço? 
Neste saara os corcéis o pó levantam, 
Galopam, voam, mas não deixam traço. 

Bem feliz quem ali pode nest'hora 
Sentir deste painel a majestade! 
Embaixo — o mar em cima — o firmamento... 
E no mar e no céu — a imensidade! 

Oh! que doce harmonia traz-me a brisa! 
Que música suave ao longe soa! 
Meu Deus! como é sublime um canto ardente 
Pelas vagas sem fim boiando à toa! 

Homens do mar! ó rudes marinheiros, 
Tostados pelo sol dos quatro mundos! 
Crianças que a procela acalentara 
No berço destes pélagos profundos! 

Esperai! esperai! deixai que eu beba 
Esta selvagem, livre poesia 
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa, 
E o vento, que nas cordas assobia... 
.......................................................... 
Por que foges assim, barco ligeiro? 
Por que foges do pávido poeta? 
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira 
Que semelha no mar — doudo cometa! 

Albatroz! Albatroz! águia do oceano, 
Tu que dormes das nuvens entre as gazas, 
Sacode as penas, Leviathan do espaço, 
Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas. 

II

Que importa do nauta o berço, 
Donde é filho, qual seu lar? 
Ama a cadência do verso 
Que lhe ensina o velho mar! 
Cantai! que a morte é divina! 
Resvala o brigue à bolina 
Como golfinho veloz. 
Presa ao mastro da mezena 
Saudosa bandeira acena 
As vagas que deixa após. 

Do Espanhol as cantilenas 
Requebradas de langor, 
Lembram as moças morenas, 
As andaluzas em flor! 
Da Itália o filho indolente 
Canta Veneza dormente, 
— Terra de amor e traição, 
Ou do golfo no regaço 
Relembra os versos de Tasso, 
Junto às lavas do vulcão! 

O Inglês — marinheiro frio, 
Que ao nascer no mar se achou, 
(Porque a Inglaterra é um navio, 
Que Deus na Mancha ancorou), 
Rijo entoa pátrias glórias, 
Lembrando, orgulhoso, histórias 
De Nelson e de Aboukir.. . 
O Francês — predestinado — Canta os louros do passado 
E os loureiros do porvir! 

Os marinheiros Helenos, 
Que a vaga jônia criou, 
Belos piratas morenos 
Do mar que Ulisses cortou, 
Homens que Fídias talhara, 
Vão cantando em noite clara 
Versos que Homero gemeu ... 
Nautas de todas as plagas, 
Vós sabeis achar nas vagas 
As melodias do céu! ... 

III

Desce do espaço imenso, ó águia do oceano! 
Desce mais ... inda mais... não pode olhar humano 
Como o teu mergulhar no brigue voador! 
Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras! 
É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ... 
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!

IV

Era um sonho dantesco... o tombadilho 
Que das luzernas avermelha o brilho. 
Em sangue a se banhar. 
Tinir de ferros... estalar de açoite... 
Legiões de homens negros como a noite, 
Horrendos a dançar... 

Negras mulheres, suspendendo às tetas 
Magras crianças, cujas bocas pretas 
Rega o sangue das mães: 
Outras moças, mas nuas e espantadas, 
No turbilhão de espectros arrastadas, 
Em ânsia e mágoa vãs! 

E ri-se a orquestra irônica, estridente... 
E da ronda fantástica a serpente 
Faz doudas espirais ... 
Se o velho arqueja, se no chão resvala, 
Ouvem-se gritos... o chicote estala. 
E voam mais e mais... 

Presa nos elos de uma só cadeia, 
A multidão faminta cambaleia, 
E chora e dança ali! 
Um de raiva delira, outro enlouquece, 
Outro, que martírios embrutece, 
Cantando, geme e ri! 

No entanto o capitão manda a manobra, 
E após fitando o céu que se desdobra, 
Tão puro sobre o mar, 
Diz do fumo entre os densos nevoeiros: 
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros! 
Fazei-os mais dançar!..." 

E ri-se a orquestra irônica, estridente. . . 
E da ronda fantástica a serpente 
 Faz doudas espirais... 
Qual um sonho dantesco as sombras voam!... 
Gritos, ais, maldições, preces ressoam! 
 E ri-se Satanás!... 

V

Senhor Deus dos desgraçados! 
Dizei-me vós, Senhor Deus! 
Se é loucura... se é verdade 
Tanto horror perante os céus?! 
Ó mar, por que não apagas 
Co'a esponja de tuas vagas 
De teu manto este borrão?... 
Astros! noites! tempestades! 
Rolai das imensidades! 
Varrei os mares, tufão!

Quem são estes desgraçados 
Que não encontram em vós 
Mais que o rir calmo da turba 
Que excita a fúria do algoz? 
Quem são? Se a estrela se cala, 
Se a vaga à pressa resvala 
Como um cúmplice fugaz, 
Perante a noite confusa... 
Dize-o tu, severa Musa, 
Musa libérrima, audaz!... 

São os filhos do deserto, 
Onde a terra esposa a luz. 
Onde vive em campo aberto A tribo dos homens nus... 
São os guerreiros ousados 
Que com os tigres mosqueados 
Combatem na solidão. 
Ontem simples, fortes, bravos. 
Hoje míseros escravos, 
Sem luz, sem ar, sem razão. . . 

São mulheres desgraçadas, 
Como Agar o foi também. 
Que sedentas, alquebradas, 
De longe... bem longe vêm... 
Trazendo com tíbios passos, 
Filhos e algemas nos braços,

N'alma — lágrimas e fel... 
Como Agar sofrendo tanto, 
Que nem o leite de pranto 
Têm que dar para Ismael. 

Lá nas areias infindas, 
Das palmeiras no país, 
Nasceram crianças lindas, 
Viveram moças gentis... 
Passa um dia a caravana, 
Quando a virgem na cabana 
Cisma da noite nos véus ... 
... Adeus, ó choça do monte, 
... Adeus, palmeiras da fonte!... 
... Adeus, amores... adeus!... 

Depois, o areal extenso... 
Depois, o oceano de pó. 
Depois no horizonte imenso 
Desertos... desertos só... 
E a fome, o cansaço, a sede... 
Ai! quanto infeliz que cede, 
E cai p'ra não mais s'erguer!... 
Vaga um lugar na cadeia, 
Mas o chacal sobre a areia 
Acha um corpo que roer. 

Ontem a Serra Leoa, 
A guerra, a caça ao leão, 
O sono dormido à toa 
Sob as tendas d'amplidão! 
Hoje... o porão negro, fundo, 
Infecto, apertado, imundo, 
Tendo a peste por jaguar... 
E o sono sempre cortado 
Pelo arranco de um finado, 
E o baque de um corpo ao mar...

Ontem plena liberdade, 
A vontade por poder... 
Hoje... cúm'lo de maldade, 
Nem são livres p'ra morrer. . 
Prende-os a mesma corrente 
— Férrea, lúgubre serpente — 
Nas roscas da escravidão. 
E assim zombando da morte, 
Dança a lúgubre coorte 
Ao som do açoute... Irrisão!... 

Senhor Deus dos desgraçados! 
Dizei-me vós, Senhor Deus, 
Se eu deliro... ou se é verdade 
Tanto horror perante os céus?!... 
Ó mar, por que não apagas 
Co'a esponja de tuas vagas 
Do teu manto este borrão? 
Astros! noites! tempestades! 
Rolai das imensidades! 
Varrei os mares, tufão! ... 

VI

Existe um povo que a bandeira empresta 
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!... 
E deixa-a transformar-se nessa festa 
Em manto impuro de bacante fria!... 
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta, 
Que impudente na gávea tripudia? 
Silêncio. Musa... chora, e chora tanto 
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ... 

Auriverde pendão de minha terra, 
Que a brisa do Brasil beija e balança, 
Estandarte que a luz do sol encerra 
E as promessas divinas da esperança... 
Tu que, da liberdade após a guerra, 
Foste hasteado dos heróis na lança 
Antes te houvessem roto na batalha, 
Que servires a um povo de mortalha!... 

Fatalidade atroz que a mente esmaga! 
Extingue nesta hora o brigue imundo 
O trilho que Colombo abriu nas vagas, 
Como um íris no pélago profundo! 
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga 
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo! 
Andrada! arranca esse pendão dos ares! 
Colombo! fecha a porta dos teus mares! 





Nossa História - A ESCRAVIDÃO - literatura de Cordel





A ESCRAVIDÃO

Sobre a história do Brasil
Quero fazer um relato
A quem muito merece
E está no anonimato
Que gerou muita riqueza
E só recebeu desacato.

Estou falando dos Negros
Que vieram lá da África
Pra trabalhar nos engenhos
Da elite aristocrática
A ganância portuguesa
Usava sempre essa prática.

Os senhores de engenho
Conhecidos por patrão
Fortalecem esse insulto
Dessa tal escravidão
Vitimando todos nós
Na intensa exploração.

Eram comprados em lotes
Nos mercados de Olinda
Depois de negociados
Ficavam numa berlinda
Além de trabalhar muito
Maltratados eram ainda.

Era tão dura a jornada
Mesmo antes do sol romper
Triste de quem reclamava
Pros castigos receber
Pra não sofrer mais ainda
Tinha só que obedecer.

Castigos de todo tipo
Recebiam dos seus donos
De martelada nos dentes
Sofrimentos e danos
Era uma vida difícil
Um completo abandono.

Diante do sofrimento
As fugas já começaram
Surgiu o grande Zumbi
E logo se organizaram
Sob a sua liderança
As batalhas enfrentaram.

Os escravos fugitivos
Formaram comunidades
No quilombo dos palmares
Sonhavam com a liberdade
Direito que eles não tinham
Naquela sociedade.

Geraram muita riqueza
Com a colonização
Mesmo com a independência
Pro negro não mudou não
Tudo continuou na mesma
Preservando a escravidão.

Depois de muita batalha
E imposição estrangeira
É que finalmente acaba
A escravidão brasileira
E no cenário mundial
Foi assim a derradeira.

Foi no dia 13 de Maio
Do século XIX
Que a Princesa Isabel
A abolição promove
Assinando a Lei Áurea
A escravidão absolve.

Mas até hoje se ver
O negro discriminado
Sofre pra arrumar vaga
De trabalho no mercado
Herança que foi deixada
Por nossos antepassados.

Não tenha você também
Esse tal de preconceito
Não cometa esse crime
Nem tenha esse defeito
Pois somos todos iguais
Temos o mesmo direito.

A todos os brasileiros
Que formam essa nação
Somos brancos, negros, índios
Nessa miscigenação
Vivamos a diferença
Da grande aculturação.

Se Deus não faz distinção
Nós não devemos fazer
Somos obra da criação
O negro eu e você
Vivamos em união
Para em paz se viver.

Dia 20 de Novembro
É festa na pátria inteira
Uma data festejada
Pela nação brasileira
Dia da consciência negra
Povo de alma guerreira.

Juarês Alencar Pereira.
DRE - Colinas

Saiba mais sobre o cordelista Juarês Alencar Pereira
em seu blog http://juaresdocordel.blogspot.com.br/

pintura de Jean Baptiste Debret - O engenho